Morales e Chávez também vão participar da "anti-cúpula"

As expectativas da imprensa argentina são de que Hugo Chávez e Evo Morales façam discursos de alto impacto, principalmente quando saírem da reunião de cúpula dos presidentes para participar da "anti-cúpula", um evento paralelo organizado por piqueteiros, organizações não-governamentais, como as "Mães da Praça de Maio", e seguidores de ambos presidentes. Será mais um teste de popularidade de Chávez, após sua inflamada passagem pela frustrada cúpula de Mar del Plata, em 2004, que não avançou nas negociações de um livre acordo do Mercosul com os Estados Unidos para aformação da Alca.No encontro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá com Chávez nesta quarta-feira, no Brasil, antes de embarcar para Córdoba, o brasileiro vai tentar "doutrinar" o venezuelano para que sua atuação seja limitada e não prejudique a imagem do Mercosul. Fontes da diplomacia brasileira reconheceram que "doutrinar" é uma palavra muito forte, mas "tanto Lula quanto Kirchner gostariam de transmitir a importância do momento político que o bloco está vivendo". Lula também vai discutir com Chávez a relação entre a Petrobras, a estatal venezuelana PDVSA e o Gasoduto do Sul.Segundo uma das fontes, "o mais importante dessa cúpula na Argentina é mostrar um Mercosul politicamente unido", após "tantas críticas e atestados de óbitos", completou. Para isso, Lula pediria um tom "mais moderado" de Chávez. De qualquer forma, os técnicos dos países sócios negociam os detalhes dos documentos que serão assinados pelos presidentes. No final da tarde desta quarta-feira, começarão a desembarcar na cidade os ministros das áreas econômicas, como o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega. O presidente Lula desembarcará por volta do meio-dia da quinta-feira, segundo informações da chancelaria argentina.Os técnicos terminarão de concluir os detalhes do acordo, que será firmado com Cuba, o qual permitirá ampliar a venda de máquinas, aparelhos elétricos e instrumentos médicos. Mas o principal impacto desse acordo é o político, já que é o primeiro depois dos mais de 40 anos de bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba. Segundo o secretário de Relações Econômicas Internacionais, Alfredo Chiaradía, o convênio será do tipo 4+1, já que a Venezuela só será membro legalmente após a aprovação pelo Congresso de cada um dos países sócios. O acordo implica a lista de produtos com preferências tarifárias dos atuais 1.300 produtos para 2.700.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.