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Morales garante que não faltará gás para o Brasil

O presidente da Bolívia, Evo Morales, garantiu nesta quinta-feira que não faltará gás para o Brasil. Durante a assinatura de um acordo estratégico de colaboração com a Argentina, Morales destacou que o Brasil é o principal comprador do gás boliviano e classificou como muito importante a participação da Petrobras na indústria boliviana de hidrocarbonetos. Ele disse que ainda não firmou um acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas reforçou: "precisamos do irmão Lula, e eles precisam de nós", acrescentando que Bolívia e Brasil são "obrigados a viver juntos, como um casamento sem divórcio".O acordo firmado com a Argentina permitirá à Bolívia triplicar as vendas de gás nos próximos 20 anos. O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, e Morales destacaram nos discursos que fizeram na cidade de Santa Cruz, leste da Bolívia, que o acordo é um exemplo de integração latino-americana. Segundo o Ministério de Hidrocarbonetos boliviano, o acordo proporcionará ao país uma receita direta de US$ 32,3 bilhões nos próximos 20 anos, e mais US$ 7,9 bilhões de dólares pela comercialização dos líquidos associados à produção de gás natural. "Sabemos da batalha que o povo boliviano está travando contra os velhos interesses e viemos, querido Evo, de braços abertos para dar nossa solidariedade", disse Kirchner diante milhares de partidários do presidente da Bolívia. O líder argentino afirmou que seu país "vai ajudar nos investimentos que correspondem" para que o acordo possa ser cumprido.Críticos do acordo disseram que a Bolívia não tem atualmente condições de triplicar suas vendas de gás à Argentina e que, desde a nacionalização dos hidrocarbonetos decretada por Morales em maio, as petrolíferas suspenderam seus investimentos em prospecção de novas jazidas. "Que o povo boliviano e seu presidente saibam que a Argentina vai ajudá-los a consolidar as reservas tão importantes que têm", prometeu Kirchner.Destacou também que a Argentina cumprirá sua palavra de instalar em território boliviano uma unidade para separar e industrializar os líquidos extraídos com o gás natural. O presidente da Argentina recomendou que Morales e todos os bolivianos tenham "coragem, paixão, força e decisão" para construir "um novo tempo", porque "outra realidade é possível".AcordosO acordo assinado hoje também permitirá a construção do futuro Gasoduto do Nordeste Argentino (GNA), com investimentos de entre 1 e 1,2 bilhão de dólares. "Ser presidente é fazer bons negócios para a Bolívia, e nós começamos a fazê-los", afirmou Morales, ao destacar que o acordo aumentará as exportações de gás à Argentina de 7,7 a 27,7 milhões de metros cúbicos diários.No mesmo ato, foi anunciada a criação de uma linha de crédito argentina de US$ 70 milhões para projetos agropecuários na Bolívia. Esta era a "surpresa" que Morales e vários de seus ministros haviam antecipado nos últimos dias.

Agencia Estado,

19 de outubro de 2006 | 17h59

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