Morales não confirma visita ao País, e faz exigências

A visita oficial ao Brasil do presidente da Bolívia, Evo Morales, agendada para quarta-feira, 14, ainda não está confirmada. Nesta terça, o embaixador do Brasil em La Paz, Frederico Araújo, está em contato com autoridades bolivianas para obter uma posição definitiva. Uma fonte do gabinete do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, informou à Agência Estado que Araújo foi instruído a reiterar que o governo brasileiro mantém seu convite a Morales, mas não aceitará nenhuma condição de La Paz para que essa visita ocorra. "Nós trabalhamos na conclusão dos acordos de cooperação, como se Morales viesse. Mas se houver condições, melhor que ele não venha. Paciência tem limite", afirmou a fonte.Nos últimos dias, Morales e seu chanceler, David Choquehuanca, declararam que a visita somente ocorreria se o governo brasileiro aceitasse discutir o aumento do preço do gás boliviano exportado ao Brasil para US$ 5 por milhão de BTUs. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro a Morales, em encontros anteriores, que essa questão é essencialmente técnica e será negociada exclusivamente pela Petrobras, do lado brasileiro. Para o Itamaraty, as declarações de Morales e Choquehuanca destinam-se ao público interno. Entretanto, criam obstáculos para as próprias autoridades bolivianas trabalharem em prol de uma agenda positiva com o Brasil.A vinda de Morales ao Brasil foi acertada durante a visita a Brasília de uma missão que envolveu seis ministros bolivianos, em 18 de dezembro passado. Entre eles, Choquehuanca e o então ministro de Hidrocarbonetos e Energia, Carlos Villegas, que foi nomeado ministro do Gás nesta semana. A missão foi avaliada como um sinal de interesse da Bolívia nas ofertas do Brasil de cooperação em diferentes frentes. Naquela ocasião, as autoridades brasileiras deixaram claro que a negociação do preço do gás não seria incluída na pauta do encontro entre Lula e Morales.

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