Morales pede a Chávez que revise saída da Comunidade Andina

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu nesta segunda-feira a seu homólogo venezuelano, Hugo Chávez, que desista da renúncia de seu país à Comunidade Andina (CAN), e instou os governantes do Peru e da Colômbia a suspender seus Tratados de Livre-Comércio (TLC) com os Estados Unidos. Em entrevista à imprensa estrangeira no Palácio Quemado, de La Paz, Morales disse que sua proposta tem como "único objetivo" salvar o bloco devido à importância da integração. Morales disse que seu colega, "companheiro e irmão" Chávez tem razão em seus críticas à atual situação da CAN, porque os tratados de livre-comércio da Colômbia e do Peru com os Estados Unidos, "estão destroçando" o bloco econômico. "Não é possível que os presidentes da Colômbia (Álvaro Uribe) e do Peru (Alejandro Toledo), desconhecendo a luta de seus povos, possam assinar tratados como o TLC com os EUA", disse Morales. CAN morta O governante boliviano, que deve receber a Presidência rotativa do bloco andino das mãos de Chávez em junho, disse que não queria que a CAN lhe fosse entregue "morta". Por isso, solicitou "uma reunião de emergência, a qualquer momento", com os governantes andinos para refletir sobre a CAN e esses convênios comerciais com Washington. Segundo Morales, no caso do Equador, foi o movimento indígena que freou momentaneamente a conclusão das negociações comerciais com os Estados Unidos. "A CAN deve ser a base central para se buscar a chamada nação sul-americana", disse Morales. No caso do Peru, Morales disse que Toledo deveria ter esperado o novo governo em seu país "e não se apressar" para carimbar o acordo. Traição Morales ratificou sua opinião de que Toledo "traiu não somente o movimento indígena do Peru, mas o de toda América Latina, ao acelerar a assinatura" do TLC. O governante boliviano também enviou uma carta à União Européia na qual pede "um compasso de espera até que a CAN saia desta crise", embora tenha anunciado que a Bolívia irá à reunião programada entre os dois blocos em maio, em Viena, para discutir acordos comerciais.

Agencia Estado,

24 Abril 2006 | 15h29

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