Morales quer negociar aumento de gás com Brasil

O presidente da Bolívia, Evo Morales, quer negociar ?pessoalmente? um aumento do preço do gás boliviano fornecido ao mercado brasileiro, segundo declarações de seu porta-voz a jornais bolivianos. Morales, que chega ao Brasil no domingo para uma reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento, teria uma reunião marcada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com diretores da Petrobras para discutir o assunto. A informação foi publicada neste sábado pelos principais jornais bolivianos, que citam como fonte o porta-voz do governo, Alex Contreras. ?O presidente vai negociar, diretamente, os preços do produto com o pessoal da Petrobras?, afirmou Contreras, que também teria falado sobre o encontro com Lula. Disputa Segundo a imprensa boliviana, Morales considera o assunto ?vital? para seu governo. O Brasil é o maior cliente da Bolívia nessa área e um dos maiores investidores, por meio da Petrobras, na Bolívia. Ainda de acordo com a imprensa boliviana, o presidente da Bolívia irá argumentar que o reajuste de preços é ?fundamental para combater a pobreza?. Morales, que tomou posse em janeiro, chegará ao Brasil em meio a um momento de tensão entre representantes de seu país e a Petrobras. Na quarta-feira passada, o presidente da empresa brasileira, Sergio Gabrielli, falou pela primeira vez de forma pública sobre sua preocupação com um possível aumento de preços do gás importado pelo Brasil.Andrés Solíz, ministro de hidrocarbonetos boliviano, tem falado com freqüência sobre o desejo do país em aumentar o preço e, na quinta-feira, anunciou que quer uma auditoria independente para verificar se a Petrobras de fato investiu o que afirma na Bolívia.Para defender um aumento no preço, ao ministro boliviano diz se basear na referência de US$ 5 por milhar de metros cúbicos que o Brasil pagaria à Venezuela pelo gás que deverá ser exportado aos brasileiros por um gasoduto ainda a ser construído.O governo boliviano afirma ainda que a referência para o preço do produto também poderia se basear no valor no mercado internacional, que está variando entre US$ 7 e US$ 9.Atualmente, segundo a assessoria do ministério, o preço cobrado pela Bolívia por milhar de metros cúbicos é de US$ 3,13.A Petrobras, por sua vez, tem entre seus argumentos o fato de ter um contrato até 2019 que garante preços favoráveis em troca dos investimentos na infra-estrutura para extração e exportação do produto.

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