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Morales troca ministro de Mineração após crise operária

O presidente da Bolívia, Evo Morales, nomeou nesta sexta um novo ministro de Mineração, o ex-sindicalista Guillermo Dalence, em resposta à crise dos últimos dois dias no setor.Dalence, um antigo dirigente sindical, substitui Wálter Villarroel, ligado à Federação Nacional de Cooperativas Minerárias da Bolívia. Antes da posse do novo ministro, Morales considerou que os conflitos entre trabalhadores e cooperativistas, que deixaram pelo menos 16 mortos, ocorreram devido à atitude "individualista e mesquinha" de ambos os setores.O governante disse ser incapaz de entender os acontecimentos em Huanuni, a principal mina estatal de estanho do país, onde, na quinta-feira e sexta-feira, os operários da Empresa Mineira Huanuni e de várias cooperativas privadas se enfrentaram com dinamite e armas de fogo."Não posso entender como setores operários podem se enfrentar. Não compreendo como companheiros mineiros, que eram a vanguarda nas reivindicações do povo, podem se enfrentar", disse Morales, em sua primeira aparição pública desde o início do conflito.O presidente criticou a atitude dos dirigentes das duas organizações, que rejeitaram diversas propostas do Governo discutidas nos últimos meses, e se negaram a propor um plano consensual."Vimos a intransigência de alguns dirigentes e os caprichos de outros", afirmou o governante.Morales aproveitou para rebater as críticas da oposição, e responsabilizou seus rivais políticos pela crise."Há uma conspiração interna e externa contra a democracia, meu Governo e a Bolívia", afirmou. Ele reconheceu, no entanto, que seus colaboradores do setor mineiro não foram eficientes para atender aos sindicatos e organizações que se enfrentaram em Huanuni.Ao fim de seu discurso, Morales lamentou a falta de colaboração do Ministério de Mineração, e anunciou a saída de Villarroel. Tanto a Federação Sindical de Trabalhadores Mineiros quanto a Central Operária Boliviana criticaram Morales.ConflitosA mudança de ministro ocorreu quase simultaneamente ao fim dos enfrentamentos em Huanuni, com a com mediação de autoridades do Governo e representantes de organizações de direitos humanos.O acordo foi alcançado pelo ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, junto a representantes da Defensoria Pública e da Assembléia Permanente de Direitos Humanos da Bolívia.Quintana disse que o compromisso inclui o desarmamento dos grupos, a investigação dos fatos e a instalação de uma mesa de negociação dos assuntos que motivaram os enfrentamentos.

Agencia Estado,

07 de outubro de 2006 | 08h15

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