Morales volta atrás e diz não conhecer nenhum Acre

Um dia depois de ter afirmado que seu país havia trocado o Acre com o Brasil por "um cavalo", o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que não conhece o estado brasileiro. "Que Acre? Não conheço nenhum Acre", disparou Morales, no final da entrevista na qual também negou ter acusado a Petrobras de contrabando, sonegação e de agir ilegalmente na Bolívia.Nos documentos históricos, o Acre passou a figurar no território brasileiro em 1903, ao final de uma negociação conduzida pelo patrono da diplomacia do Brasil, o Barão do Rio Brasil, ao custo de 2 milhões de libras esterlinas e de uma indenização de 150 mil libras à companhia que dominava a região. O esquecimento de Morales em relação ao Acre se deu na mesma sala 18 do Centro de Imprensa da IV Cimeira União Européia-América Latina. A resposta foi induzida por um de seus assessores, que lhe passou um bilhete com letras garrafais: "A última pergunta do Brasil não deve ser respondida". De fato, trata-se de uma questão nevrálgica e havia sido rebatida na noite de ontem pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que disse que o assunto estava resolvido há mais de um século.Defesa à cocaInventivo em sua primeira participação em uma reunião de chefes de Estado, Morales informou a imprensa não ter ficado satisfeito com a condenação da produção de coca e cocaína acrescentada na declaração final da Cimeira de Viena. O ex-líder cocaleiro defendeu que a plantinha, no seu estado natural, "nunca matou ninguém" e não poderia, portanto, ser incluída na lista de ilícitos e venenosos. "Se é preciso penalizar a coca, seria preciso também penalizar a cana, a cevada e a uva", defendeu.

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