Moratória da soja não impede aumento do desmatamento na Amazônia

Moratória da soja não impede aumento do desmatamento na Amazônia

Cultivo do grão agora ocupa 47.028 hectares, avanço de 61% ante os 29.295 registrados em 2012, mesmo com o pacto entre governo e empresas para coibir a compra da soja cultivada irregularmente

Nivaldo Souza, Agência Estado

25 de novembro de 2014 | 17h35


Apesar do pacto entre governo e empresas para coibir a compra da soja cultivada irregularmente, o desmatamento da Amazônia causado pela expansão da oleaginosa voltou a crescer em 2013. O cultivo do grão agora ocupa 47.028 hectares na área da moratória da soja, avanço de 61% ante os 29.295 hectares registrados em 2012.


Os números fazem parte do 7º Mapeamento e Monitoramento do Plantio de Soja no Bioma Amazônia, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e considera o acompanhamento de plantio de soja em 73 municípios do Mato Grosso, Pará e Rondônia. O desmatamento causado por todas as culturas plantadas na Amazônia cresceu 36,4% entre 2012 e 2013, de 319.350 para 435.658. 


Segundo o ministério, o crescimento da soja sobre áreas preservadas da Amazônia inverte tendência da queda do desmatamento registrada desde a criação da moratória da soja, em 2006. A moratória, assinada pela Associação Brasileira das Indústrias dos Óleos Vegetais (Abiove) e pela Associação Nacional os Exportadores de Cereais (Anec), em parceria com entidades ambientalistas e com o ministério, prevê que essa entidades se comprometem a não comercializar e nem financiar o cultivo da oleaginosa produzida no bioma Amazônia.


Conforme o diretor da consultoria Agrosatélite, Bernardo Rudorff, dos 73 municípios, apenas 22 plantaram soja dentro da área definida pela moratória.


O diretor do Greenpeace Brasil, Paulo Adário, afirmou que o crescimento ocorreu em função do aumento do preço da soja no mercado internacional. "Houve um grande aumento da área plantada com a soja em desacordo com a moratória. Isso tem um explicação muito clara: houve um boom do preço da soja e isso levou os produtores a arriscar", disse.


O presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, recusou o argumento, afirmando que "a soja não é um driver importante no desmatamento da Amazônia".


CAR. Apenas 10% das propriedades rurais do País estão inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), novo sistema de controle do governo federal para evitar desmatamentos. De acordo com o MMA, o CAR alcança, até o momento, 50,9 milhões de hectares. 


O número está abaixo do esperado, segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. "Devíamos entrar hoje com 132 milhões de hectares na base do CAR", disse. Segundo ela, os Estados estão adaptando seus sistemas para integrá-los ao do governo federal.

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