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Moratória em Dubai assusta mercados do mundo

Ontem o mercado financeiro levou um susto. E cenas ruins, que se esperavam afastadas, voltaram às mesas dos operadores, como em um filme de desastre.

Celso Ming,

27 de novembro de 2009 | 09h51

 

A informação quente já havia sido conhecida na véspera. Trata-se do pedido de moratória do Dubai World, o fundo administrado pelo governo de um dos mais fulgurantes Estados dos Emirados Árabes Unidos. As dívidas a descoberto são de US$ 59 bilhões, a quebra soberana mais grave depois do calote argentino em 2001, cujo passivo renegociado foi de algo abaixo dos US$ 100 bilhões.

 

Nos últimos meses, a TV e a internet haviam sido bombardeadas por imagens de fantásticos projetos imobiliários em execução em Dubai; um nababesco conjunto de ilhas artificiais em forma de tamareira, forrado de marinas, resorts e construções das mil e uma noites que emergiam das águas do Golfo Pérsico.

 

A ideia do xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, que governa o emirado, era criar um polo turístico de luxo cujas receitas se equivalessem à exportação de petróleo, riqueza que não pode aproveitar como os demais vizinhos. Para isso, levantou antes da crise nada menos que US$ 80 bilhões em empréstimos bancários e emissão de títulos. Com o estouro da bolha global, os preços desses imóveis desabaram para cerca de 50% do que valiam nos melhores dias de 2008.

 

O governo de Dubai pede seis meses para colocar a dívida em dia, o que não seria tarefa impossível para um integrante da União dos Emirados Árabes, que detém cerca de 8% das reservas mundiais de petróleo.

 

Além disso, parece improvável que o calote tenha densidade para empurrar a economia global de volta para o buraco. No entanto, o anúncio da moratória trouxe novas dúvidas sobre o tamanho da devastação que quebras assim podem produzir nas finanças globais, que continuam entubadas nas UTIs do Planeta. Não só governos e bancos do Oriente Médio, como também bancos europeus podem ter sido seriamente prejudicados por esse golpe.

 

Em tempos normais, seria apenas mais um sinistro a administrar. O problema é que não há segurança de que a crise global esteja definitivamente superada. Não se conhece a verdadeira situação patrimonial de um grande número de bancos europeus e americanos nem há certeza de que a recuperação esteja livre de uma séria recaída.

 

Enfim, o risco é o de que um vento encanado à toa, como esse que sopra de Dubai, ponha a perder a recuperação que se imagina em curso. E foi esse estado de espírito que voltou ontem a espalhar o medo e determinar a fuga dos ativos de risco para o dólar e, assim, a derrubar os mercados nos quatro cantos do mundo - menos nos Estados Unidos, que desfrutaram ontem seu feriado do Dia de Ação de Graças.

 

A questão de fundo suscitada por mais essa demonstração de fragilidade consiste em saber até que ponto os Tesouros e bancos centrais dos países ricos poderiam se dedicar a trazer de volta os US$ 10 trilhões emitidos desde setembro de 2008 para neutralizar os efeitos da crise global.

 

Uma coisa é denunciar o novo criatório de bolhas e a devastação sobre tantos orçamentos públicos que o giro desses recursos está provocando. E outra, bem diferente, é recolhê-los de volta sem aumentar a fragilidade global da qual essa moratória de Dubai é mais um aviso.

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