Morre condenado por maior escândalo financeiro dos EUA

Dois meses antes de saber qual seria sua condenação pelo maior escândalo financeiro dos Estados Unidos, o Caso Enron, o ex-presidente da companhia Enron Kenneth Lay morreu nesta quarta-feira, devido a problemas cardíacos, em um hospital de Aspen, Colorado, nos Estados Unidos.A polícia de Pitkin, no Colorado, disse que seus agentes foram chamados à residência de Lay pouco depois da 1 hora, no horário local. Ele foi levado ao hospital, onde morreu às 3h11. A porta-voz da família, Kelly L. Kimberly, emitiu uma declaração indicando que mais detalhes sobre a morte não seriam dados por enquanto. Segundo fonte, Lay e sua esposa, Linda, estavam em Colorado para passar a semana, e sua morte foi completamente inesperada. Aparentemente, seu coração parou. Jay tinha 64 anos, e junto de Jeffrey Skilling, ex-diretor geral da Enron, foi condenado, em maio, por conspiração e fraude. Segundo denúncias, eles mentiram a investidores e empregados sobre a situação financeira da companhia nos meses que precederam sua falência, em dezembro de 2001. Lay também foi condenado em outro julgamento, sem jurado, por fraude bancária e por formular declarações falsas a bancos, em relação às suas finanças pessoais. A condenação seria dada em dezembro. Lay poderia pegar 45 anos de prisão, enquanto Skilling pode ficar 185 anos de recluso.Alta meteórica Lay presidiu a meteórica alta da Enron, de uma simples empresa dedicada ao transporte de gás natural, em 1985, para a criação de um conglomerado energético, que chegou a ocupar o sétimo lugar da lista de 500 empresas mais importantes da revista econômica Forbes, com ingressos anuais de US$ 100 milhões. Estava inserida nos círculos empresariais mais importantes dos Estados Unidos. Durante muitos anos, foi a corporação que mais contribuiu economicamente com a carreira política do presidente George W. BushA Enron, no entanto, entrou em colapso após ser revelado que as finanças da companhia eram baseadas em uma rede de parcerias fraudulentas e esquemas, diferente do que ela afirmava aos seus investidores e ao público. Quando lay e Skilling foram a julgamento, em uma corte norte-americana em 30 de janeiro, foi esperado que Lay, que acumulou grande popularidade na época em que ocupava o cargo de presidente da companhia de energia, fosse capaz de seduzir o júri. Porém, durante seu testemunho, ele ficou nervoso e combativo. Lay também defendeu seu extravagante modo de vida, incluindo um iate de US$ 200.000 para a festa de aniversário de sua esposa Linda, dizendo que "é difícil acabar com aquele modo de vida". Ele e Skilling insistiram que não houve irregularidades com a Eron e que a companhia foi prejudicada por publicidade negativa que minou a segurança dos investidores. Suas defesas não ajudaram em seu caso com o pessoal do júri."Quero muito acreditar no que eles disseram", afirmou o jurado Wendy Vaughan após o veredicto ser anunciado. "Houve momentos no testemunho que senti que o caráter deles era questionável."Skilling disse à AP que sentia muito pelo falecimento de Lay, mas não quis fazer mais comentários. Os fiscais do julgamento de Lay se negaram a fazer comentários, tanto sobre sua morte repentina quanto sobre questões governamentais para se recuperar ps US$ 43,5 milhões, que, segundo o julgamento, foram embolsados pelo executivo durante a conspiração. Este texto foi atualizado às 18h27.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.