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Morre em São Paulo Wolfgang Sauer, ex-presidente da Volkswagen

Executivo dirigiu montadora de 1973 a 1989 e foi responsável pela internacionalização da empresa

Cleide Silva, do Estadão,

30 de abril de 2013 | 14h26

SÃO PAULO - Faleceu ontem, em São Paulo, aos 82 anos, o ex-presidente da Wolkswagen do Brasil Wolfgang Sauer. Alemão naturalizado brasileiro,  presidiu a empresa entre 1973 a 1989.

A Volkswagen divulgou nota manifestando pesar pela morte do executivo.  "Sauer deu uma valiosa contribuição ao desenvolvimento da indústria automobilística no Brasil, com ousadia e uma visão estratégica que colocaram a Volkswagen em posição de destaque entre as maiores empresas do Brasil", diz a nota da empresa.

Na década de 70, por exemplo, Sauer levou a Volkswagen brasileira ao Iraque, em um dos maiores contratos de exportação mundial já feitos de um único modelo de carro, o Passat.

O executivo promoveu a internacionalização da Volkswagen do Brasil, levando os veículos da marca produzidos no Brasil a cerca de 100 países, inclusive a China, nos anos 1990, no início da globalização.

Ele criou também o Consórcio Nacional Volkswagen e o Banco Volkswagen. Ele estimulou a matriz alemã a implantar no Brasil a linha de produção de caminhões, em 1991.

Articulou a criação da Autolatina, em 1987, unindo as operações da Volkswagen e da Ford, nos mercados brasileiro e argentino.

Na sua gestão, a Volkswagen lançou produtos de grande sucesso, como o Gol, Voyage, Parati, Saveiro, Santana, Passat, entre outros.

Sauer foi responsável pela implementação da segunda fábrica da marca no Brasil, em Taubaté, em 1976, introduzindo novas tecnologias e conceitos de produção.

Com a crise do petróleo, nos anos 70, o executivo, defensor da busca por alternativas à gasolina, fez da Volkswagen do Brasil a pioneira no desenvolvimento dos motores movidos a etanol, lançados em 1979 nos modelos Sedan 1300, Brasília e Passat.

No livro "O homem Volkswagen", lançado no ano passado, Wolfgang Sauer conta, em primeira pessoa, ter sido um estudante "medíocre". Quando tinha 14 anos, o diretor da escola onde estudava em Stuttgart, onde nasceu, aconselhou sua mãe a mandá-lo para as minas de carvão. "Ele só presta para limpar trilhos de bondes. "

A mãe não seguiu o conselho e o jovem órfão de pai trabalhou em várias áreas. Já adulto, passou por Portugal e Venezuela e depois veio para o Brasil. Dirigiu a Bosch até ser convidado para presidir a Volkswagen, função que exerceu de 1973 a 1993 - os últimos três anos, no conselho de administração.

Nos tempos do controle de preços, processou o Estado, que decidia os reajustes que podiam ser aplicados nos preços dos carros mensalmente.

Negociou com os sindicatos nas primeiras greves do ABC, especialmente durante a mais longa delas, com duração de 42 dias. Embora a relação fosse de diálogo e respeito, fontes que trabalharam na VW na época dizem que a empresa tinha "uma espécie de SNI" (Serviço Nacional de Informação), um grupo que vigiava os passos dos sindicalistas da região e repassava boletins diários à direção da montadora.

Outro grande feito da gestão de Sauer foi ter negociado com o líder do Iraque, Saddam Hussein, em meados dos anos 80, a maior exportação de um único modelo de carro. Foram 180 mil unidades do Passat, num contrato de US$ 1,7 bilhão.

O valor foi pago com petróleo em plena crise gerada pela guerra Irã-Iraque. Também manteve contratos de exportação do Santana (desmontados) para a China, além de modelos Fox (antigo Voyage) para os EUA.

A VW ainda é a maior exportadora do setor, o que lhe garante o título de maior fabricante, pois, em vendas domésticas, está atrás da Fiat.

Foi ele também quem decidiu encerrar a produção do Fusca, em 1986, dando lugar ao Gol, modelo que já passou por várias mudanças e é líder de vendas há 26 anos.

Além da própria narrativa de Sauer, o livro com 528 páginas traz depoimentos de várias pessoas que conviveram com ele e tem prefácio de Delfim Netto.

A redação e pesquisa é de Maria Lúcia Doretto, que também escreveu a biografia de Abraham Kasinsky, dono da Cofap morto em fevereiro aos 94 anos.

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