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Morre o empresário Ivens Dias Branco aos 81 anos

Líder na fabricação e venda de biscoitos no Brasil, empresário transformou negócio do pai no Ceará e entrou no ranking de bilionários brasileiros

Carmen Pompeu / FORTALEZA ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2016 | 21h47

O empresário Francisco Ivens de Sá Dias Branco morreu nesta sexta-feira, 24, aos 81 anos, vítima de complicações cardíacas durante uma cirurgia no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Dono de uma das maiores fortunas do Nordeste, era presidente do Conselho de Administração do Grupo M. Dias Branco, líder nacional na fabricação e venda de biscoitos e massas, com 28,7% de mercado, e quarto maior produtor de massas do mundo. Na última atualização do ranking dos maiores bilionários brasileiros da Forbes, Ivens ocupava a 17ª posição, com fortuna avaliada em R$ 8,2 bilhões.

O empresário ficou internado no Hospital Monte Klinikun, em Fortaleza, e foi levado às pressas, sábado, para o Hospital Albert Einstein, onde, se submeteu ontem a uma cirurgia no coração e não resistiu. Ivens foi casado com Maria Consoelo Leon Scott Dias Branco, com quem teve cinco filhos. 

Natural de Fortaleza, ele era filho do português Manuel Dias Branco, dono da Padaria Imperial. Em 1953, aos 19 anos, vira sócio do pai e amplia os negócios da família. Foi dele a ideia de investir na fabricação de biscoitos em escala industrial, transformando no negócio do varejo para a indústria. Em 1980, a empresa mudou da sede de Fortaleza para o município de Eusébio, às margens da BR-116. 

Com um sistema de distribuição focado no pequeno e médio varejo, a M Dias Branco se tornou a líder no segmento de biscoitos, superando multinacionais como Nestlé e Kraft.

Uma das marcas da M. Dias Branco foi o processo de verticalização da produção, que começou em 1990 com a inauguração da primeira unidade de moagem de trigo em Fortaleza. Como produtora dos principais insumos para a produção de biscoitos e massas, a empresa consegue controlar custos e melhorar a margem dos produtos. Em 2002 o grupo passou a produzir também gorduras e margarinas em Fortaleza, dois de seus principais insumos para a fabricação de biscoitos e massas.

A partir dos anos 90 começou uma acelerada expansão orgânica com a construção de novos moinhos e indústrias de massas e biscoitos, todas impulsionadas pelo crescimento das vendas e da capacidade de produção. Um de seus lances mais ousados foi a compra da marca Adria, em 2003. Hoje, o Grupo M. Dias Branco tem 14 fábricas e 13 distribuidoras, onde são gerados 16.007 empregos diretos. Reúne 17 marcas, como Richester, Isabela e Vitarella. Além do ramo de massas e biscoito, também atua nos setores de construção e hospitalidade.

Em 2014, passou o comando da empresa para o filho Francisco Ivens Dias Branco Júnior e saiu do dia a dia da empresa. Ele ainda era presidente do conselho de administração da M. Dias Branco. No fim da vida, estava mais focado nos outros negócios da família, como uma fábrica de cimento e um terminal portuário em Aratu (BA).

Repercussão. O governador do Ceará, Camilo Santan (PT), decretou, por meio de nota, luto oficial de três dias e manifestou “profundo pesar pela morte do empresário”. “Um homem que com sua visão de futuro e obstinação, construiu um dos mais sólidos e importantes grupos empresariais do Brasil, tendo contribuído de forma significativa para o desenvolvimento do Ceará”, disse o governador.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Beto Studart, considerou “uma perda irreparável de um homem exemplo de trabalho e determinação”. 

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