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Morre o político e banqueiro Olavo Setubal, do Itaú

Setubal, que tinha 85 anos, dirigiu o banco entre os anos 1964 e 1988 e chegou a ser ministro de Sarney

Mônica Aquino, do estadao.com.br e Nair Keiko Suzuki, de O Estado de S. Paulo,

27 de agosto de 2008 | 09h38

O banqueiro e político Olavo Setubal morreu nesta quarta-feira, 27, aos 85 anos, de insuficiência cardíaca. Ele estava internado no Hospital Sírio Libanês. O velório será realizado no Centro Empresarial Itaúsa – Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha, 100 - Jabaquara, das 16 horas desta quarta às 10 horas de quinta-feira. O corpo será cremado em cerimônia privativa para os familiares. Setubal dirigiu o Banco Itaú, que começou com Banco Federal de Crédito, fundado por seu tio, Alfredo. Ele foi também prefeito da cidade de São Paulo em 1975 e ministro das Relações Internacionais no governo de José Sarney, durante 11 meses. Em 1988, Setubal se aposentou da direção do Itaú e passou a presidir a Investimentos Itaúsa, holding do grupo.   Veja também: Setubal foi um dos grandes empreendedores do País, diz LulaOs fatos mais importantes da vida de Olavo SetubalGaleria de fotos   A figura de Olavo Egydio Setubal impressionava pela alta estatura e seu vozeirão ecoava em qualquer ambiente onde se encontrava. Paulistano, nascido na outrora tradicional Maternidade São Paulo a 16 de abril de 1923, Olavão, como era chamado na roda dos jornalistas que acompanhavam a sua carreira de banqueiro, empresário e político, era autêntico. Dizia o que pensava. Mas não de forma abrupta. Ele construía boas frases de efeito. Como a que proferiu, ao tomar posse no cargo de prefeito, em 1975: "Gerir São Paulo é a mesma coisa que gerir uma Suíça e uma Biafra ao mesmo tempo". Dotado de forte espírito empreendedor, construiu o império Itaú aos poucos, corrigindo erros e consolidando acertos. Mas foi por acaso que enveredou pelo caminho empresarial. Desde adolescente, ele queria ser engenheiro e contrariando a vontade do pai, Olavo Setubal formou-se na profissão em 1945, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Logo lhe deram um emprego no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), onde trabalhava também o colega de turma da Poli Renato Refinetti. Quando conseguiram juntar o equivalente a US$ 10 mil, ambos decidiram abrir uma pequena empresa, a Artefatos de Metal Deca Ltda.  Quando cuidava da expansão da Deca, Olavo Setubal foi procurado por Alfredo Egydio de Souza Aranha, irmão da sua mãe, que o orientou profissionalmente desde a morte prematura do pai. O tio convidou-o a dirigir o Banco Federal de Crédito e a Companhia Ítalo-Brasileira de Seguros Gerais, que deram origem ao Grupo Itaú. O nome Itaú, uma homenagem à cidade mineira, foi uma escolha dos homens de marketing por ser de fácil comunicação: forte, marcante e de grafia fácil. A trajetória do Banco Itaú, sob o comando de Olavo Setubal, foi meteórica: num curto período de dez anos, de 1965 a 1975, o pequeno Banco Federal de Crédito, o 150º no ranking de 200 bancos brasileiros, fundiu-se com o Sulamericano, de Luiz Moraes Barros; com o Banco da América, da família Herbert Levy; com o Banco Aliança, do Rio de Janeiro; o Banco Português do Brasil, de José da Silva Gordo; e o Banco União Comercial (BUC), dirigido pelo ex-ministro do Planejamento Roberto Campos. Graças à compra do BUC, o Banco Itaú saltou para o segundo lugar no ranking, posição que vem mantendo até hoje. Em depoimento à Universidade de São Paulo, Setubal lembrou também que, no meio do processo de fusões e aquisições, encontrou-se, um dia, numa reunião, com Amador Aguiar, fundador do Bradesco. "Ele virou-se para mim e disse: ‘Olha Olavo, você vai passar todos eles, mas a mim não’. E a profecia dele é válida até hoje", comentou, como curiosidade para amenizar o depoimento.  Política Enquanto a vida empresarial de Olavo Setubal foi marcada por surpresas preparadas pelo tio Alfredo Egydio, na vida pública, foi o então governador de São Paulo Paulo Egydio Martins quem o surpreendeu, convidando-o, em janeiro de 1975, a ser prefeito de São Paulo. Mas a carreira política ainda não estava encerrada. Seis ou sete meses depois de deixar a Prefeitura de São Paulo, Olavo Setubal recebeu a visita, em sua casa, do então senador Tancredo Neves, que o convidou para ser o organizador do seu partido político, o Partido Popular (PP), em São Paulo.  Dessa experiência resultou o convite para ser ministro das Relações Exteriores, no governo do presidente José Sarney. Ocupou o cargo por 11 meses no Itamaraty e lançou-se candidato ao governo do Estado de São Paulo, um sonho acalentado por muito tempo. Mas se desiludiu logo com o partido e com manifestações de sindicalistas que depredaram agências do Banco Itaú em protesto contra algumas das aquisições feitas pelo banco. Olavo Setubal casou-se aos 23 anos com Matilde, conhecida por dona Tide, com quem teve sete filhos - Paulo Setubal Neto (o mais velho), Maria Alice (única filha), Olavo Junior, Roberto, José Luís, Alfredo e Ricardo (o caçula). Dona Tide faleceu em 1977 e, há 28 anos, Setubal estava casado pela segunda vez, com Daisy Salles, de uma família de fazendeiros em Santa Rita do Passa Quatro.  Desde 1994, Roberto Egydio Setubal, o quarto de seus sete filhos, atua como presidente-executivo do Itaú. Até ficar doente e ser internado, ia todos os dias no prédio-sede do banco, no bairro do Jabaquara, onde aconselhava seu filho e também almoçava constantemente com diretores do banco. A rotina só não era cumprida quando viajava ao exterior. Costumava passar dois meses por ano fora do país.

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