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Morte de um conto de fadas

Defensores da doutrina da austeridade fiscal e do corte de gastos como arma para combater a depressão esperavam pela fada da confiança.. Mas ela não veio

PAUL, KRUGMAN, paul.krugman@grupoestado.com.br, PRÉMIO NOBEL DE ECONOMIA, PAUL, KRUGMAN, paul.krugman@grupoestado.com.br, PRÉMIO NOBEL DE ECONOMIA, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2012 | 03h09

Este foi o mês em que a fada da confiança morreu.

Nos últimos dois anos, a maioria dos estrategistas na Europa e muitos políticos e gurus nos Estados Unidos esteve à mercê de uma doutrina econômica destrutiva. De acordo com esta doutrina, os governos deveriam tentar sair de uma economia deprimida não seguindo as prescrições dos manuais - aumentando os gastos para compensar a queda da demanda privada - mas com austeridade fiscal, cortando drasticamente os gastos na tentativa de equilibrar orçamentos.

Os críticos advertiram desde o começo que a austeridade como arma só aprofundaria a depressão. Mas os seus defensores insistiam que o que aconteceria seria o contrário. Por quê? Por causa da confiança! "Políticas que inspiram confiança promovem a recuperação econômica, não a comprometem", declarava Jean-Claude Trichet, o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) - afirmação repetida pelos republicanos no Congresso americano. Ou, como eu disse na época, esperava-se que a fada da confiança aparecesse e premiasse os estrategistas por sua virtude fiscal.

A boa notícia é que muitas pessoas de grande prestígio finalmente começam a admitir que a fada da confiança era um mito. A má notícia é que, embora admitam isso, parece que não há grandes perspectivas de uma mudança a curto prazo, na Europa ou nos EUA, onde nunca abraçamos plenamente essa doutrina, mas, apesar disso, tivemos uma austeridade de fato sob a forma de enormes gastos e cortes de empregos, tanto no plano federal quanto no municipal.

Alguma coisa mudou nas últimas semanas. Vários acontecimentos - o fracasso do governo holandês nas medidas de austeridade, a forte votação obtida por François Hollande, vagamente contrário a uma política de austeridade, no primeiro turno das eleições presidenciais da França, e um relatório econômico que mostra que o desempenho da Grã-Bretanha está pior na presente crise do que na da década de 30 - parecem ter finalmente rompido a barreira dos desmentidos. De repente, todo mundo admite que a austeridade não funciona.

A questão agora é o que fazer. E temo que a resposta seja: não muito.

Em primeiro lugar, se aparentemente os defensores da austeridade desistiram de esperar, eles não desistiram de sentir medo - a respeito da afirmação de que se não cortarmos drasticamente os gastos, mesmo numa economia deprimida, nos tornaremos uma nova Grécia, com o aumento vertiginoso do custo do crédito.

Agora, as afirmações de que somente a austeridade consegue tranquilizar os mercados de títulos revelaram-se tão equivocadas quanto as afirmações de que a fada da confiança trará a prosperidade. Vivemos num mundo de políticas econômicas praticamente mortas vivas - políticas que deveriam ter sido mortas uma vez que todas as suas premissas estavam erradas, mas continuam se arrastando por aí. E todo mundo se pergunta quando esse reinado do erro acabará.

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