Mote da reforma é harmonizar regras da Previdência, diz secretário

Mote da reforma é harmonizar regras da Previdência, diz secretário

Marcelo Caetano negou que o trabalhador incluído no regime geral seja o 'único a carregar o piano' nas mudanças na aposentadoria

O Estado de S.Paulo

09 de março de 2017 | 13h07

O secretário da Previdência, Marcelo Caetano, afirmou que um norteadores dessa reforma na aposentadoria é a harmonização das regras para todas as categorias. Ele negou, portanto, que o trabalhador incluído no regime geral seja o "único a carregar o piano". O secretário deu a declaração em entrevista no evento Fóruns Estadão que trata nesta quinta-feira da reforma da Previdência. 

"No fundo, não tem essa questão de que está privilegiando um grupo em detrimento do outro. Tem que ter transição no meio do caminho, mas, nesse prazo, teremos regra de acesso igual, forma de cálculo também igualitária, seja político ou não, servidor público ou não", disse. 

O secretário também defendeu que a proposta não sofra muitas alterações para que o impacto seja de longo prazo. "Se a reforma mudar muito, a trajetória de despesa pode ficar muito ascendente e daqui a pouco terá que haver uma nova proposta de reforma", destacou. 

Privatização. Caetano disse não ver "de modo algum" a possibilidade de privatização da Previdência no futuro. O secretário considerou que o governo dificilmente permitirá a privatização porque isso significaria abrir mão da arrecadação, equivalente a 6% do PIB, vinda do recolhimento do INSS. "Não tem como fazer uma mudança nesse estilo", comentou o principal autor da proposta de reforma da Previdência. 

Ele observou, porém, que formas privadas de complementação, para quem ganha mais, poderão coexistir com a previdência pública.

Apesar de ressaltar a arrecadação previdenciária, Caetano destacou os déficits registrados pelos diversos regimes de aposentadoria e voltou a defender a reforma como forma de preservar os benefícios, já que as despesas nessa área vão, segundo ele, crescer por conta de um envelhecimento acentuado da população brasileira. 

O País, disse,  está convergindo ao padrão demográfico europeu e sem a reforma as saídas que restam é aumentar impostos ou comprimir gastos em outras áreas.

(Raquel Brandão, Altamiro Silva Junior, Eduardo Laguna, Francisco Carlos de Assis, Thaís Barcellos)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.