'Motim' na Foxconn evidencia pressão trabalhista na China

Briga que envolveu cerca de 2 mil funcionários deixa dúvidas sobre futuro do setor manufatureiro no país

TAIWAN, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h05

As pressões que ameaçam o status da China como o maior chão de fábrica do mundo foram destacadas por um motim nesta semana em uma fábrica de peças para a Apple e fabricantes de outros aparelhos eletrônicos, que, segundo trabalhadores, foi provocado por uma segurança onerosa e condições de vida opressivas.

As consequências do motim que emergiu no domingo na fábrica da Hon Hai Precision Industry, pertencente à Foxconn, vão muito além da segurança da cadeia de fornecimento da Apple, que conta com exércitos de trabalhadores chineses dóceis e assíduos, de acordo com o Wall Street Journal. A fábrica foi fechada por um dia, mas já voltou a funcionar.

O motim desencadeia perguntas sobre a sustentabilidade da alardeada máquina manufatureira da China. E isso representa um desafio para o governo, que está se esforçando para satisfazer as expectativas crescentes de uma nova geração de trabalhadores chineses, que chegaram à idade adulta em uma era de crescimento econômico de dois dígitos e estão menos dispostos do que os seus pais a fazerem sacrifícios pessoais por seu país.

Dezenas de trabalhadores disseram que o tumulto no domingo, que deixou 40 feridos e levou à mobilização de cerca de 5 mil policiais, foi em parte resultado de tensões crescentes, à medida que os guardas reforçaram severamente regras rigorosas na fábrica.

Um trabalhador afirmou que uma briga entre dois funcionários embriagados provocou um violento ataque de funcionários da segurança da empresa. A cena dos guardas batendo nos trabalhadores fez com que os funcionários pedissem ajuda a amigos, e em pouco tempo um confronto entre seguranças e trabalhadores começou.

A Foxconn afirmou que não tinha nenhuma evidência que indique que os guardas violaram a política da companhia, mas acrescentou que seriam tomadas "ações adequadas", se a investigação policial encontrar violações.

Três testemunhas disseram que os trabalhadores se juntaram à briga e acabaram quebrando vidraças e incendiando a fábrica localizada em Taiwan, na Província de Shanxi, que emprega 79 mil pessoas - o tamanho da força de trabalho total da General Motors nos EUA.

Vários empregados afirmaram que estavam pensando sobre deixar a fábrica, apontando para a "ferocidade" dos guardas, e uma série de outras queixas favorável a um cenário no qual uma briga pequena tornou-se um motim de 2 mil pessoas.

Pressão. Eles disseram que as pressões de longas horas de trabalho (turnos de 10 a 12 horas são comuns) nas linhas de montagem, transferências recentes de grupos grandes de trabalhadores de outras localidades e a falta de horas extras durante a aproximação do feriado de uma semana do Dia Nacional são fatores que estavam provavelmente contribuindo para a violência. / DOW JONES

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