Motim na Foxconn levanta dúvidas sobre setor manufatureiro da China

Segundo os trabalhadores, briga foi provocada por uma segurança onerosa e condições de vida opressivas 

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

26 de setembro de 2012 | 16h43

TAIYUAN- As pressões que ameaçam o status da China como o maior chão de fábrica do mundo foram destacadas por um motim nesta semana em uma fábrica de peças para a Apple e fabricantes de outros aparelhos eletrônicos, que, segundo trabalhadores, foi provocado por uma segurança onerosa e condições de vida opressivas.

As consequências do motim que emergiu no domingo na fábrica da Hon Hai Precision Industry vão muito além da segurança da cadeia de fornecimento da Apple, que conta com exércitos de trabalhadores chineses dóceis e assíduos, reportou o Wall Street Journal.

O motim desencadeia perguntas sobre a sustentabilidade da alardeada máquina manufatureira da China. E isso representa um desafio para o governo que está se esforçando para satisfazer as expectativas crescentes de uma nova geração de trabalhadores chineses que chegaram à idade adulta em uma era de crescimento econômico de dois dígitos e estão menos dispostos do que os seus pais a fazerem sacrifícios pessoais por seu país.

Dezenas de trabalhadores disseram hoje que o tumulto no domingo, que causou 40 feridos e levou à mobilização de cerca de 5 mil policiais, foi em parte resultado de tensões crescentes à medida que os guardas reforçaram severamente regras rigorosas na fábrica.

Um trabalhador afirmou que uma briga entre dois funcionários embriagados provocou um violento ataque de um número de oficiais da segurança que procuravam controlar a situação. A cena dos guardas batendo nos trabalhadores fez com que os funcionários pedissem ajuda a amigos, e em pouco tempo um confronto entre seguranças e trabalhadores começou.

A Foxconn, divisão da Hon Hai, que opera a fábrica, afirmou que não tinha nenhuma evidência que indique que os guardas violaram a política da companhia, mas acrescentou que seriam tomadas "ações adequadas", se a investigação policial encontrar violações.

Três testemunhas disseram que os trabalhadores se juntaram à briga e acabaram quebrando vidraças e incendiando a fábrica localizada em Taiyuan, na Província de Shanxi, que emprega 79 mil pessoas - o tamanho da força de trabalho total General Motors nos EUA.

Vários empregados afirmaram que estavam pensando sobre deixar a fábrica, apontando para a "ferocidade" dos guardas, e uma série de outras queixas favorável a um cenário, no qual uma briga pequena tornou-se um motim de 2 mil pessoas.

Eles disseram que as pressões de longas horas de trabalho - turnos de 10 a 12 horas são comuns - nas linhas de montagem, transferências recentes de grupos grandes de trabalhadores de outras localidades e descontentes sobre a falta de horas extras durante a aproximação do feriado de uma semana do Dia Nacional são fatores que estavam provavelmente contribuindo para a violência. As informações são da Dow Jones.

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