Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Nova greve dos motoboys tem baixa adesão pelo País

Paralisação deste sábado,25, não conseguiu repetir as cenas de mobilização das edições anteriores

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2020 | 11h53
Atualizado 25 de julho de 2020 | 19h13

A terceira tentativa de greve dos entregadores de aplicativos convocada para este sábado, 25, não conseguiu repetir em tamanho e em impacto as cenas das mobilizações anteriores, em especial a do dia 1º de julho, que reuniu milhares de motoboys em diversas capitais do Brasil. 

Com pouca adesão da categoria, os poucos trabalhadores que se concentraram nas entradas dos shoppings centers do País logo se dissiparam e, no meio da tarde, a operação de entregas já estava praticamente normalizada nos centros de compra.

Em São Paulo, onde a liderança do “Breque dos Apps” esperava interromper as entregas que saiam dos restaurantes instalados nas praças de alimentação, os manifestantes não somavam 100 participantes na concentração final, marcada para ocorrer na Praça Charles Muller, em frente ao Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, por volta das 15h.

No final do dia, os motoboys confessavam frustração com o movimento nos grupos de WhatsApp. Para eles, após surgir com uma pauta forte, destinada a garantir melhor remuneração e melhores condições de trabalho, o movimento rachou entre grupos distintos. Uma parte com ambições políticas e a outra parte alinhada aos sindicais, que defendem o reconhecimento de vínculo empregatício dos entregadores com os aplicativos -  tema que não é consenso entre os trabalhadores já que, em sua maioria, eles prestam serviços para mais um de aplicativo.

"O pessoal deturpou muito o movimento, colocando política e sindicato no meio. E (com isso) muito gente pulou fora da causa”, diz Gustavo Mourão, que lidera a mobilização em Campinas.

A paralisação

A movimentação começou nas principais cidades por volta da 9h. Algumas centenas de motoboys se reuniram em frente aos shoppings mais centrais com o objetivo de evitar que os demais entregadores atendessem os pedidos dos restaurantes instalados nas praças de alimentação.

Em São Paulo, cerca de 12 motoboys se reuniram em frente ao Shopping Morumbi e outra dezena ficou na entrada do Shopping Center Norte onde os entregadores costumam esperar pelos chamados. Eles evitavam que os outros trabalhadores atendessem aos pedidos até por volta de 15h. Na avenida Paulista, que abriga três shoppings de grande porte,  o número de carros de polícia em frente aos centros de compra era superior ao de entregadores.

“A manifestação está fraca, tem pouca gente”, relatava o líder do movimento na capital, Diógenes Souza.

No Rio de Janeiro, os motoboys realizaram concentrações pela manhã, mas depois do almoço eles se dissiparam, segundo relatos de participantes locais. 

Os entregadores protestam contra as condições de trabalho oferecidas por aplicativos como Uber Eats, iFood, Rappi e Loggi. Eles reivindicam uma tabela mínima de cobrança pelo serviço e um reajuste do porcentual repassado aos motoboys pelas entregas.

Na sexta-feira, 24, presidentes de seis centrais sindicais divulgaram nota conjunta em apoio à manifestação dos motoboys.

Empresas

Desde que os motoboys deflagraram o movimento,no dia 1º de julho, Uber Eats, Rappi e Loggi têm falado pouco, a maior parte das vezes por nota. Loggi e Rappi priorizam a comunicação via Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O), que reúne os aplicativos, exceto Uber. 

O iFood, por sua vez, critica a da ausência de uma legislação específica para o trabalho dos entregadores e também a postura de aplicativos concorrentes. 

"O iFood, como pioneiro na indústria, vem subindo essa régua (de relacionamento com os entregadores) constantemente. Mas as demais empresas não estão ainda no patamar dos 

 

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