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Motoqueiros digitais

Uma nova marca de motocicletas, a Vanguard, nasce de um computador e desafia as fabricantes tradicionais

The Economist, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2017 | 05h00

Quando a Vanguard Roadster foi apresentada ao público no salão de motocicletas de Nova York, no fim do ano passado, o evento marcou o lançamento não só de uma máquina nova e potente, mas também de uma nova marca, que chega ao mercado com grandes ambições. Com uma estratégia ousada, a Vanguard aposta na tecnologia digital para reduzir os custos dos processos industriais e desafiar fabricantes de motos tradicionais, como Honda, Yamaha, Harley-Davidson, BMW e outras. Juntas, elas devem vender cerca de 500 mil motocicletas e scooters este anos nos Estados Unidos.

Pode parecer excesso de pretensão. Até o momento, toda a produção da Vanguard se resume a uma única máquina. Com um tonitruante motor V2 de 1917 cm3 e um preço fixado em torno de US$ 30 mil, a moto vai brigar por espaço com os modelos mais caros do mercado (apesar de haver algumas supermotos que custam o triplo disso). Mas, se os planos derem certo, dentro de poucos anos a Vanguard estará comercializando anualmente milhares de unidades de diversos modelos.

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O que permite a uma startup mirar tão alto é o fato de as tecnologias digitais estarem reduzindo consideravelmente o custo de entrada em segmentos industriais até pouco tempo atrás dominados por gigantes corporativos. O fenômeno é particularmente significativo no tocante ao dispendioso e prolongado processo desenvolvimento de produtos. Entre os primeiros esboços e construção de protótipos em argila e, em seguida, a produção de componentes e a realização de testes, as montadoras de automóveis costumavam levar cinco anos ou mais para pôr um modelo novo no mercado. A coisa era igualmente demorada para as fabricantes de motocicletas.

Hoje em dia, com a ajuda de softwares de projeto 3D, técnicas de engenharia e sistemas de simulação, algumas montadoras dão conta do recado em apenas dois anos. O produto, tanto no caso de um carro, como de uma motocicleta ou até mesmo de um avião, ganha existência no mundo digital, onde pode ser esculpido e longamente testado antes de ganhar a concretude de um objeto real. Também é possível simular métodos de produção.

É essa a abordagem da Vanguard, que foi criada em 2013 pelo ex-consultor de empresas François-Xavier Terny e pelo projetista de motocicletas Edward Jacobs. Contando atualmente com apenas alguns poucos funcionários e sem dispor do volume de recursos das grandes fabricantes, a startup utilizou o software Solidworks, da francesa Dassault Systèmes, para projetar uma motocicleta digital antes de transformá-la numa máquina de verdade. Sistemas como esse vêm se beneficiando de preços cada vez baixos e performance crescente de poder computacional. “Em termos de ferramentas de projeto e engenharia, estamos no mesmo nível que as grandes do setor, coisa que teria sido impossível há dez anos”, diz Terny.

Os projetos digitais também franqueiam um acesso mais ágil e descomplicado aos fornecedores globais, permitindo que eles ofereçam seus melhores preços para as peças de que a fabricante precisa. Os arquivos do projeto podem ser enviados por e-mail para uma vasta rede de firmas de engenharia que oferecem serviços online.

Uma vez concluídos os testes de rua e os eventuais ajustes a serem feitos no projeto da moto, a Roadster entrará em produção. Isso deve acontecer ao longo de 2018. O local que vai abrigar a linha de montagem já foi escolhido: será uma unidade industrial recentemente reformada no Brooklyn, em Nova York, num bairro que já foi ocupado por um estaleiro da Marinha americana e que agora abriga grande número de fábricas. Essa, aliás, é outra característica em rápida transformação no segmento industrial: graças à engenharia digital, ao barateamento da automação e das novas técnicas de produção, como a impressão 3D, assiste-se a uma revitalização da atividade fabril no interior de grandes centros urbanos.

© 2017 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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