Tiago Queiroz|Estadão
Tiago Queiroz|Estadão

Motoristas ficam mais de 24 horas na fila da gasolina

Expectativa por chegada de combustível fez condutores passarem o dia na frente de posto em São Paulo; cidade registra trânsito abaixo da média

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 22h53

O empresário Agnaldo Brito Gonçalves, de 47 anos, previa na tarde desta segunda, 28, completar mais de 24 horas no mesmo lugar: dentro do próprio carro. Ele já estava havia mais de 18 horas na fila de um posto de combustível na Rua Amaral Gurgel, no centro de São Paulo. “Eu tenho de esperar, não tenho como ir embora.”

Como ele, por conta do desabastecimento causado pela greve dos caminhoneiros, dezenas de pessoas passaram a noite da fila, que se estendeu por diversas ruas do entorno e só diminuiu depois de os funcionários do posto trazerem as más notícias: o caminhão-tanque previsto para as 22h de domingo deveria chegar apenas na manhã de segunda. Depois, veio mais uma notícia ruim: o combustível só viria terça de madrugada.

O carro prata dirigido por Gonçalves foi comprado na manhã de domingo, durante o Feirão AutoShow no Anhembi, zona norte. Após guardar o veículo em um estacionamento, ele rodou a cidade de táxi atrás de um posto, quando foi informado que o da Amaral Gurgel receberia combustível em breve.

Entrou, então, na fila. No início da tarde, ainda aguardava reabastecer para voltar para sua casa em Jales (SP), a 600 quilômetros da capital paulista. Sua única distração era assistir aos gols da rodada do fim de semana em uma TV portátil e conversar com os novos conhecidos.

Na fila, a maioria das placas era de São Paulo, mas, entre os diversos carros vazios deixados para guardar lugar ou carregando donos sonolentos após o almoço, havia também viajantes. Entre eles estava um grupo de amigas de Belo Horizonte e o estudante de Música Lucas Miranda, de 24 anos, que veio de Brasília na quinta.

AO VIVO: Acompanhe notícias sobre a greve dos caminhoneiros minuto a minuto

À reportagem, Miranda disse que estava na fila desde as 9h30. E já havia passado por diversas ruas, conforme os demais carros desistiram, indo da Rua Jaguaribe até a Dr. Cesário Mota Júnior. “A gente saiu de Brasília sem saber como ficaria a situação. Foi a melhor estrada que eu peguei na vida, não tinha um caminhão no caminho.”

Já o taxista Edvaldo Aparecido de Araújo, de 47 anos, entrou na fila por volta das 22h de domingo. “Estava voltando de uma corrida, procurando posto, porque não tinha mais condições de pegar outra.”

Posto depredado

A suspeita de que um posto de gasolina estava vendendo combustível adulterado terminou em depredação por motoristas e motociclistas, na tarde desta segunda, em um tumulto que só foi encerrado após a chegada de policiais militares da Força Tática. O posto fica na esquina das Avenidas Lions e Senador Vergueiro, na Vila Vivaldi, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Os PMs lançaram bombas de efeito moral e dispararam balas de borracha contra a multidão. Segundo a PM, motoristas perceberam que o motor de seus carros falhava após o abastecimento e foram cobrar satisfações do posto. Enquanto a discussão estava em curso, o combustível terminou, causando mais revolta entre os que aguardavam na fila. Bombas de combustível, vidraças e outros objetos do posto foram quebrados. Diante das bombas e balas não letais da PM, a multidão se dispersou. Ninguém foi preso.

Cidades permanecem sob impacto da greve dos caminhoneiros

Cidade sem trânsito

Com grande parte da frota sem ir às ruas, pelo medo do desabastecimento, São Paulo registrou trânsito abaixo da média na tarde de ontem. Segundo informações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a cidade tinha apenas 9 quilômetros de lentidão por volta das 19h30. A Marginal do Pinheiros concentrava metade dos congestionamentos da cidade por causa de uma manifestação que bloqueou cinco faixas. A média da cidade no horário fica entre 57 e 81 quilômetros.

/ COLABORARAM BRUNO RIBEIRO e JÚLIA MARQUES

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