Wilton Junior/ Estadão - 24/7/2018
General Hamilton Mourão, vice-presidente da República Wilton Junior/ Estadão - 24/7/2018

Mourão cobra 'turma que fala muito da Amazônia' a investir na região

Vice-presidente disse que o desenvolvimento da região é o grande desafio do País, mas afirmou que investimentos têm de ser privados

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 16h49

RIO - O vice-presidente Hamilton Mourão cobrou a “turma que fala muito de Amazônia” dizendo que é hora de investir para desenvolver a bioeconomia da região. Mourão, que é chefe do Conselho da Amazônia, grupo criado pelo governo federal para combater a destruição da floresta e incentivar atividades econômicas ecologicamente corretas, disse que o desenvolvimento da Amazônia é o grande desafio do País.

"É hora da turma que fala muito de Amazônia se apresentar no jogo e colocar recursos na mão das nossas empresas ou de empresas que venham a se estabelecer na Amazônia para fomentar e desenvolver a bioeconomia”, disse.

Segundo Mourão, três grupos pressionam o Brasil em relação à Amazônia: “O primeiro é quem faz oposição radical ao presidente Bolsonaro, aqui dentro mesmo, e busca apresentá-lo ao resto do mundo como a reedição de Átila, o Huno; o segundo grupo são os agricultores europeus, que não têm condições de competir com a gente. E o terceiro grupo são os ativistas ambientais, que acreditam que a Amazônia está sendo destruída e que isso terá uma influência no clima mundial”.

As afirmações foram feitas nesta quinta-feira, 27, durante o webinar “Brasil: Futuro Econômico”, promovido pela Federação das Câmaras de Comércio Exterior, Confederação Nacional do Comércio (CNC) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ).

O vice-presidente afirmou que "o futuro está intimamente ligado a nos inserirmos na bioeconomia". "Para isso temos que ter as cadeias de valor da Amazônia devidamente mapeadas, uma infraestrutura logística sustentável, com rios navegáveis, portos, aeroportos, a BR-319 voltando a funcionar, e obviamente temos que carrear investimentos, que hoje ficam complicados para o Estado brasileiro face à crise fiscal que enfrentamos. Compete ao Estado atrair os investimentos privados”, disse.

Ele afirmou que manter a Zona Franca de Manaus "é essencial para proteger a Amazônia e utilizá-la de modo sustentável. “A Zona Franca cumpriu o papel geopolítico de desconcentração de investimentos e geração de renda pública e privada, e trabalhou para a conservação da floresta no (Estado do) Amazonas."

Mas, segundo Mourão, os incentivos fiscais “têm um limite”: “Hoje a Zona Franca está com seu prazo estendido até 2073. À medida que a Amazônia estiver mais integrada, com ambiente de negócios mais desenvolvido, haverá um desmame nessa questão do incentivo fiscal, até porque é cada vez menor o espaço governamental para administrar esse tipo de subsídio”.

De acordo com o vice-presidente, os benefícios fiscais concedidos em função da pandemia não devem ser estendidos: “Nosso governo fez o que era possível em relação a isenções e adiamento do pagamento de impostos. Mas nós estamos no limite para isso. Vivemos uma crise fiscal grave, estamos desde 2014 no vermelho, nossa dívida estava na faixa de 78% do PIB, deve terminar este ano em 95%, 96% (do PIB), então vejo pouco espaço fiscal para que os incentivos que foram dados durante a pandemia sejam mantidos, até pelas exigências em relação ao teto de gastos e à regra de ouro”.

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