Dida Sampaio/Estadão - 26/5/2021
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Mourão diz não ver problema em aprovar gasto temporário fora do teto para Auxílio Brasil

Vice-presidente, que admite não participar das discussões sobre o novo programa social, disse que, se houver transparência na despesa, o mercado não vai ficar agitado

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2021 | 11h29

BRASÍLIA - Enquanto as alas política e econômica do governo travam uma queda de braço nos bastidores sobre a forma de financiamento do Auxílio Brasil, o vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta quarta-feira, 20, não ver problema em aprovar, de forma temporária, uma verba fora do teto de gastos para abastecer de recursos o novo programa social. Por outro lado, o general reconheceu que não participa das discussões sobre o programa social.

Como revelou o Broadcast/Estadão, o presidente Jair Bolsonaro decidiu por um benefício de R$ 400 para o substituto do Bolsa Família até dezembro de 2022, ano eleitoral. Desse valor, cerca de R$ 200 seriam um pagamento temporário, com metade disso fora do teto de gastos. A possibilidade de furar a regra considerada a âncora fiscal do País gerou forte repercussão negativa no mercado financeiro e dentro da equipe econômica. Em meio ao impasse, o governo chegou a cancelar a cerimônia de lançamento do programa, que estava marcada para terça-feira, 19. 

 

Apesar disso, Mourão minimizou as consequências de deixar uma parte do Auxílio Brasil fora do teto. "Se acertasse e dissesse: 'olha, durante um ano nós precisamos de gasto extra teto de X', os representantes da sociedade, que são os parlamentares, (dissessem) 'ok, vamos aprovar', não vejo problema", disse o vice-presidente em sua chegada ao Palácio do Planalto. 

"Se houver uma transparência total na forma como o gasto será executado e de onde vai vir o recurso, acho que o mercado não vai ficar agitado por causa disso", acrescentou. "A gente não pode ser escravo do mercado, a questão social é responsabilidade do governo e não do mercado."

Ele ainda fez críticas à regra fiscal. "O teto tem, na minha visão, um problema sério, porque determinadas despesas aumentam acima do limite estabelecido para as demais. Então, consequentemente, há uma compressão das despesas, o que termina a levar que o governo fique estrangulado", disse o vice-presidente.

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