Dida Sampaio/Estadão
O vice-presidente da República Hamilton Mourão preside o Conselho da Amazônia. Dida Sampaio/Estadão

Mourão nega destruição da Amazônia e diz que acordo entre Mercosul e UE 'começa a fazer água'

Vice-presidente afirmou que o Brasil precisa manter contatos diretos de negociação com a União Europeia; segundo ele, a imprensa criou 'ruído' com Angela Merkel

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 15h19

RIO - O vice-presidente Hamilton Mourão classificou como “surreal” a forma como as notícias sobre incêndios na Amazônia são divulgadas. “Segundo os dados de 26 de agosto, existem 24 mil focos de calor na Amazônia. São 24 mil em 5 milhões de quilômetros quadrados, um incêndio a cada 200 quilômetros quadrados. É surreal como isso é colocado para as pessoas”, afirmou Mourão, que é chefe do Conselho da Amazônia, grupo criado pelo governo federal para combater a destruição da floresta e incentivar atividades ecologicamente corretas. “E 17% desses incêndios são legais. Sabemos muito bem onde estão ocorrendo (os incêndios ilegais).”

As afirmações foram feitas durante o webinar “Brasil: Futuro Econômico”, promovido pela Federação das Câmaras de Comércio Exterior, Confederação Nacional do Comércio (CNC) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ).

Questionado sobre comércio exterior, ele disse que em função da pandemia de covid-19, o ambiente de negócios está mudando e o Brasil precisa aproveitar a chance para ampliar seus mercados: “A participação do Brasil no comércio (mundial) é muito pequena, cerca de 1%. Temos uma imagem ainda abalada por preconceitos, mas é hora do País se posicionar melhor nas cadeias de comércio.” Segundo ele, o que importa é o resultado comercial, não “a orientação ideológica” do parceiro.

Mourão citou a crise econômica vivida pela Argentina, principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul, e disse que o acordo econômico entre Mercosul e União Europeia “começa a fazer água”. Por isso, segundo ele, é importante que o Brasil mantenha canais diretos de negociação com a União Europeia.

 


“O Brasil tem um relacionamento muito bom com a Alemanha”, garantiu, afirmando que a imprensa causou “ruído” ao tratar da postura da premiê alemã Angela Merkel. “(Há) pouco tempo a imprensa falou que a Angela Merkel teria dito que o acordo estaria sob judice, mas na realidade ela foi cobrada pela ativista ambiental Greta Thunberg e resolveu não fazer nenhum comentário a respeito. Mas o que já se publica na imprensa no Brasil é algo totalmente diferente do que está acontecendo na realidade”, criticou.

Na semana passada, Angela Merkel expressou dúvidas sobre o futuro do acordo comercial entre a UE e Mercosul, dada a ameaça ecológica que paira sobre a Amazônia. “Temos sérias dúvidas de que o acordo possa ser aplicado conforme o planejado", disse o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert.

 

Mourão ainda defendeu a reforma tributária, desprezou a saída de capital estrangeiro do Brasil, alegando que são especuladores, e afirmou que o Brasil precisa oferecer “um ambiente de negócios mais amigável” para atrair investidores estrangeiros.

Durante o evento, ele respondeu perguntas de cinco entrevistadores: o presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Sergio Ricardo Segovia Barbosa, o presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior, Paulo Fernando Marcondes Ferraz, e o presidente do Conselho Superior da Federação das Câmaras de Comércio Exterior e embaixador do Brasil na Argentina, embaixador José Botafogo Gonçalves.

 

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Mourão cobra 'turma que fala muito da Amazônia' a investir na região

Vice-presidente disse que o desenvolvimento da região é o grande desafio do País, mas afirmou que investimentos têm de ser privados

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 16h49

RIO - O vice-presidente Hamilton Mourão cobrou a “turma que fala muito de Amazônia” dizendo que é hora de investir para desenvolver a bioeconomia da região. Mourão, que é chefe do Conselho da Amazônia, grupo criado pelo governo federal para combater a destruição da floresta e incentivar atividades econômicas ecologicamente corretas, disse que o desenvolvimento da Amazônia é o grande desafio do País.

"É hora da turma que fala muito de Amazônia se apresentar no jogo e colocar recursos na mão das nossas empresas ou de empresas que venham a se estabelecer na Amazônia para fomentar e desenvolver a bioeconomia”, disse.

Segundo Mourão, três grupos pressionam o Brasil em relação à Amazônia: “O primeiro é quem faz oposição radical ao presidente Bolsonaro, aqui dentro mesmo, e busca apresentá-lo ao resto do mundo como a reedição de Átila, o Huno; o segundo grupo são os agricultores europeus, que não têm condições de competir com a gente. E o terceiro grupo são os ativistas ambientais, que acreditam que a Amazônia está sendo destruída e que isso terá uma influência no clima mundial”.

As afirmações foram feitas nesta quinta-feira, 27, durante o webinar “Brasil: Futuro Econômico”, promovido pela Federação das Câmaras de Comércio Exterior, Confederação Nacional do Comércio (CNC) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ).

O vice-presidente afirmou que "o futuro está intimamente ligado a nos inserirmos na bioeconomia". "Para isso temos que ter as cadeias de valor da Amazônia devidamente mapeadas, uma infraestrutura logística sustentável, com rios navegáveis, portos, aeroportos, a BR-319 voltando a funcionar, e obviamente temos que carrear investimentos, que hoje ficam complicados para o Estado brasileiro face à crise fiscal que enfrentamos. Compete ao Estado atrair os investimentos privados”, disse.

Ele afirmou que manter a Zona Franca de Manaus "é essencial para proteger a Amazônia e utilizá-la de modo sustentável. “A Zona Franca cumpriu o papel geopolítico de desconcentração de investimentos e geração de renda pública e privada, e trabalhou para a conservação da floresta no (Estado do) Amazonas."

Mas, segundo Mourão, os incentivos fiscais “têm um limite”: “Hoje a Zona Franca está com seu prazo estendido até 2073. À medida que a Amazônia estiver mais integrada, com ambiente de negócios mais desenvolvido, haverá um desmame nessa questão do incentivo fiscal, até porque é cada vez menor o espaço governamental para administrar esse tipo de subsídio”.

De acordo com o vice-presidente, os benefícios fiscais concedidos em função da pandemia não devem ser estendidos: “Nosso governo fez o que era possível em relação a isenções e adiamento do pagamento de impostos. Mas nós estamos no limite para isso. Vivemos uma crise fiscal grave, estamos desde 2014 no vermelho, nossa dívida estava na faixa de 78% do PIB, deve terminar este ano em 95%, 96% (do PIB), então vejo pouco espaço fiscal para que os incentivos que foram dados durante a pandemia sejam mantidos, até pelas exigências em relação ao teto de gastos e à regra de ouro”.

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