Movimentação de ações 'X' está na mira da CVM

Nesta semana, em apenas dois dias, os papéis da CCX, de carvão, registraram valorização de mais de 60%

Josette Goulart e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2013 | 02h22

RIO - Alguns investidores privilegiados estão ganhando muito dinheiro com as ações do grupo X, que está mais uma vez na mira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na sexta-feira, a autarquia abriu novo processo administrativo para analisar informações da companhia logística LLX, que na semana passada anunciou a injeção de R$ 1,3 bilhão do fundo americano EIG no negócio. O problema é que nos cinco dias anteriores ao anúncio, os papéis subiram extraordinários 72%.

Não bastasse a ação ter se valorizado de forma tão irregular, levantando suspeitas, o que também chamou a atenção foi o fato de que seis horas antes do anúncio oficial a conta do Twitter @BovespaBrokers já dava o negócio como certo.

Os papéis da LLX vinham sendo inflados com rumores sobre a venda do controle da companhia. A primeira notícia que circulou foi de que o fundo soberano de Abu Dhabi, o Mubadala Development Company, estaria negociando a compra de alguns dos ativos do Grupo EBX - rumor agora desviado para a mineradora MMX.Os boatos de venda da LLX se confirmaram no dia 14 de agosto, com o anúncio do acordo de transferência do controle da companhia ao fundo EIG,

E os posts na rede social continuam alimentando as apostas em bolsa em torno de quem vai levar as empresas do empresário Eike Batista, que foram colocadas à venda depois que o grupo se desmantelou ao anunciar campos improdutivos da petroleira OGX. Na segunda-feira, o alvo foi a MMX. Foi postado que a Vale teria feito uma proposta firme pela companhia, mas no próprio Twitter a Vale negou a informação.

Ontem foi a vez da CCX cair na rede. Em apenas dois dias, a valorização acumulada do papel já ultrapassa 60%. De acordo com o que foi divulgado no Twitter, a empresa de carvão estaria vendendo duas minas a céu aberto que representam um portfólio importante da empresa. O valor do negócio seria de US$ 100 milhões por apenas um oitavo da companhia, que no início desta semana valia menos do que isso na bolsa.

A conta @BovespaBrokers que diz ter "informações para arbitrar um mercado desarbritado" tem quase 13 mil seguidores. Seus posts discutem têm se focado nas companhias do grupo X. Na terça-feira, um deles já dizia a alta de 30% da ações da CCX não era mera especulação.

Ontem, a companhia de carvão enviou resposta à BM&FBovespa e à CVM, que questionaram a movimentação estranha das ações, afirmando que "até o presente momento não tem ciência de atos ou fatos relevantes que possam justificar a movimentação atípica das ações de emissão da empresa entre os dias 08 a 21 de agosto ".

As especulações em torno dos papéis das empresas do grupo X devem continuar até que toda a reestruturação esteja completa, na visão de alguns operadores. Discretamente, a ação que também tem se valorizado é a da OSX. Em três dias subiu 30%.

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