Movimento pode afetar qualificação do capital humano

ANÁLISE: Ylana Miller*

O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2013 | 02h03

A importância do setor terciário na geração de renda vem crescendo de forma acelerada nestes últimos dez anos no País. Entretanto, a concentração do crescimento econômico em segmentos específicos pode provocar impacto na formação e qualificação do capital humano, dentre outros aspectos.

O fortalecimento da demanda em atividades de comércio e serviços vem sendo desproporcional à capacitação de mão de obra. Novas oportunidades surgiram em funções específicas, que exigem um perfil de profissional com atributos e necessidades diferenciados da indústria. O investimento na formação e capacitação dos funcionários não acompanhou esse ritmo acelerado. As organizações não estavam preparadas, precisam planejar as ações de treinamento e desenvolvimento e implantá-las em curto prazo.

A falta desse equilíbrio entre a demanda e a oferta dos setores também reflete na remuneração dos profissionais, que pode ser diferenciada de acordo com os setores econômicos. Quanto maior a escassez de profissionais para um determinado setor, maior será o impacto no sistema de reconhecimento e recompensa.

A confiança dos trabalhadores na indústria diminuiu, o que também pode comprometer a competitividade, produtividade e resultados desta área.

Estudantes e profissionais que optam por esse segmento de atuação repensam suas carreiras e avaliam outras possibilidades. Em geral, a tendência na escolha profissional está relacionada e acompanha as fortes demandas do mercado. Esse fenômeno pode acarretar a sobra de vagas em determinados setores, assim como a escassez de talentos em outros.

Para 2014 o efeito Copa promete o aquecimento de todos os setores.

Novas oportunidades vêm à tona, estimulando a mobilização de profissionais, o desenvolvimento de talentos e o investimento das organizações nas lacunas de formação e capacitação.

No cenário de longo prazo, são muitos os desafios, em especial para a indústria. Assegurar a sua competitividade e sustentabilidade requer reinvenção, estímulo à criatividade, pesquisas e desenvolvimento. O futuro inovador também dependerá de suas práticas na gestão de pessoas, projetos e processos. E ser competitivo é não ter receio de redesenhar os planos de negócios e reinventar.

*PROFESSORA DO IBMEC E SÓCIA-DIRETORA DA YLUMINARH

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