MP 232 acerta ao igualar tributos, afirma economista

O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Eustáquio Reis, não vê necessidade de mudanças na Medida Provisória 232, que elevou a tributação sobre prestadores de serviços e produtores rurais. "É uma pena que a medida tenha entrado num momento ruim do governo. Porque eu acho que ela é basicamente correta na tentativa de igualar o tratamento de pessoas físicas e de pequenos empresários, que são, na maioria das vezes, pessoas físicas que criam empresas para simplesmente evitar a carga tributária", afirmou o economista ao Conta Corrente, da "Globo News". De acordo com Eustáquio, há um certo paternalismo com os pequenos empresários. "A tributação do Brasil deveria, na medida do possível, igualar essas isenções para os pequenos empresários com redução de carga tributária em geral. Isso é o que seria ideal a meu ver." Indagado sobre a afirmação do presidente Lula de que o Brasil terá um crescimento econômico em torno de 5% este ano, ele respondeu: "Não acho que seria de se espantar não". No entanto, o economista afirma trabalhar com previsões da ordem de 4%. "Mas o presidente tem mais elementos na mão e tem mais informação para poder ser esperançoso", pondera. Sobre a renovação do acordo com o FMI - que vence em março -, Eustáquio não vê necessidade dela. Mas ele acredita que o País possa manter isso como uma espécie de "hedge" contra eventuais dificuldades futuras. "Talvez o governo possa manter isso (o acordo) porque custa pouco. Na medida em que você está realmente fazendo aquilo que acordou com o Fundo sem a necessidade da verba, os recursos seriam bem-vindos e de graça." Lucros dos bancos - Outro entrevistado do programa Conta Corrente, o presidente da Consultoria Economática, Fernando Exel, disse que os lucros recordes dos bancos brasileiros, que registraram ganhos acima de R$ 3 bilhões em 2004, não foram nenhuma surpresa. "Em um país com juros nesses níveis, os bancos sempre têm uma margem de manobra maior para aumentar um pouco seu spread. Então não é surpresa que os lucros sejam maravilhosos." De acordo com ele, o que realmente parecia impossível era que os bancos batessem em 2004 os recordes do ano anterior. "2003 foi um ano melhor ainda. A taxa média da Selic, por exemplo, esteve mais alta do que em 2004. Em 2003, a média da Selic esteve em 23% e, em 2004, 13%." Exel atribuiu os ganhos dos bancos à cobrança de tarifas, que, segundo ele, vem crescendo agressivamente desde o fim da inflação.

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