MP cobra explicação para cortes na Embraer

Em audiência, a Embraer discutirá demissões com os funcionários

RICARDO LEOPOLDO, VANNILDO MENDES E LEONÊNCIO NOSSA, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

O Ministério Publico do Trabalho (MPT) em São José dos Campos (SP) convocou a diretoria da Embraer para uma audiência de mediação para o dia 2 de março com representantes dos empregados da companhia a fim de debater uma solução para a demissão de 4,2 mil trabalhadores. Segundo o MPT, os representantes da empresa precisarão apresentar documentos nos quais justifiquem as dispensas anunciadas na quinta-feira.Se os representantes da Embraer não provarem com os documentos que deverão exibir ao procurador da República, Renato Baptista, que as demissões foram necessárias, o MPT pode entrar na Justiça com uma ação civil, na qual pedirá a reintegração de todos os empregados dispensados.Tanto o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos quanto a Força Sindical pretendem entrar com uma ação judicial no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas contra a Embraer na próxima quarta-feira. Ambas pedirão que a Justiça determine que as demissões são ilegais.CRÍTICASEnquanto a Justiça avalia como tratar o caso, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, ligado à Conlutas, ameaça paralisar a produção de aviões com uma greve geral, depois do carnaval, se a empresa não suspender o corte. O alerta foi feito ontem ao Palácio do Planalto pelo presidente da entidade, Adilson dos Santos, e o diretor da Conlutas, Luiz Carlos Prates. Os dirigentes anunciaram para quinta-feira uma reunião com as demais centrais sindicais para definir a paralisação. Eles não foram recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que alegou problemas de agenda e se comprometeu a recebê-los após o carnaval, provavelmente na quarta-feira.Santos e Prates acusaram a direção da Embraer de agir de má-fé, demitindo em massa sem negociar com o sindicato, como manda a lei, apenas para "manter os lucros". Eles disseram que Lula tem como reverter as demissões porque o governo tem ações da Embraer e comanda fundos públicos que participam da administração da empresa. "Não basta o presidente dizer que está indignado, é preciso mais ação porque a crise não é uma marolinha", enfatizou Santos.Caso o governo não consiga suspender as demissões, os sindicalistas querem que a empresa seja reestatizada. "Ela recebe muito dinheiro público", enfatizou Santos, referindo-se aos mais de R$ 7 bilhões que o BNDES teria injetado na empresa nos últimos anos.

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