MP cortará tributos de quem investir em tecnologia

Para cada R$ 1.000,00 que investirem em inovação tecnológica, as empresas poderão ter redução da ordem de R$ 300,00 nos tributos federais a pagar. ?A dedução é da ordem de 30%?, disse, nesta segunda-feira, o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, ao comentar os dispositivos de incentivo fiscal constantes da Medida Provisória 66. ?Estamos realizando o sonho de dar melhores condições às empresas de fazer investimentos em tecnologia.?A MP 66 autoriza as empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento a abater totalmente essas despesas da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Caso o investimento resulte em novo produto, com inscrição de patente, o abatimento será em dobro.?O Brasil vai beneficiar-se dessa mudança?, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Carlos Delben Leite. ?O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, tão conhecido por sua eficiência para aumentar a arrecadação, também teve sensibilidade ao analisar essa proposta e torná-la realidade.?Leite afirmou que as empresas brasileiras não têm estatísticas sobre seus gastos em tecnologia. Por isso, é difícil saber qual será o impacto da MP sobre os investimentos na área. ?Mas, a julgar pelo entusiasmo, será grande?, afirmou. Segundo o presidente da Abimaq, as empresas aplicam pouco em tecnologia porque não há, no País, instrumentos que induzam a esse tipo de investimento.?A MP é um primeiro passo, mas ainda temos muitos problemas na estrutura tributária e de custo de capital?, comentou. Ele disse que, no ano passado, o País gastou US$ 3,5 bilhões em pagamento de royalties. ?São gastos bastante expressivos, que ajudam a exaurir as reservas internacionais e que podem ser substituídos por esforço interno.?O setor de bens de capital, representado pela Abimaq, investirá um total de R$ 3,680 bilhões neste ano, sendo uma parcela disso em inovação tecnológica. Com isso, é estimado um crescimento da ordem de 6% a 8%, contra 11,2% registrado no ano passado.Delben Leite disse que as exportações terão redução de 6% em 2002, sendo que 70% dessa queda é explicada pela queda nas vendas para a Argentina. Ele explicou que, a despeito das perdas para o mercado argentino, o setor tem procurado aumentar suas vendas em mercados tradicionais, como Estados Unidos e Europa. Além disso, está desenvolvendo um projeto de busca de mercados alternativos, em parceria com a Agência de Promoção de Exportações (Apex). Os alvos são Índia, China e Oriente Médio.

Agencia Estado,

09 de setembro de 2002 | 18h07

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