MPF denuncia 'igreja' que girou R$ 400 mi

Procuradoria acusa três por crimes financeiros e sonegação a partir de entidade religiosa que só existia no papel

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h15

O Ministério Público Federal em São Paulo apresentou denúncia à Justiça contra três integrantes de uma organização especializada em crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas e falsidade ideológica. O grupo fazia uso de uma igreja fantasma - com registro oficial, mas sem templo nem fiéis - por meio da qual movimentou R$ 400 milhões.

A Polícia Federal apurou que 687 pessoas, em diversas localidades e sem nenhuma renda declarada receberam recursos da "igreja". Um acusado era o responsável pela "igreja de papel", que "funcionou" entre 2005 e 2009. No local indicado como endereço da igreja funcionava uma academia de ginástica.

A falsa organização religiosa era comandada por laranjas que nem sequer sabiam de sua existência. O responsável pela "igreja" cuidava de outras nove empresas, que movimentaram mais R$ 100 milhões.

Para a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, autora da denúncia, as provas recolhidas durante a Operação Lava Rápido, da PF, mostraram que os acusados operavam um verdadeiro "nascedouro de empresas de fachada", utilizadas para a prática de vários crimes.

A investigação teve início quando a Receita identificou fatos entre 2008 e 2011 - complexo esquema de atividades ilícitas com a participação de servidores públicos estaduais.

O Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) mapeou empresas de fachada usadas pelo grupo. Essas empresas enviavam valores para os EUA, à margem dos sistemas oficiais e de controle e monitoramento. Foram denunciados à 2.ª Vara Criminal da Justiça Federal um empresário, um economista e um contador.

Karen alerta que as empresas funcionavam como "verdadeiro bureau de serviços" para a efetivação dos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro de atividades supostamente ilícitas de clientes, como empresas de comercio exterior, construção civil, setor esportivo, representantes do setor agropecuário.

A organização criminosa dedicava-se à constituição de empresas de fachada para emissão de notas fiscais fraudulentas, com o objetivo de forjar a criação e comercialização de créditos de ICMS e IPI, abrindo caminho para a sonegação de tributos.

O MPF identificou delitos de subtração de procedimentos fiscais do âmbito da Secretaria da Fazenda de SP e corrupção.

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