MRV é acusada de permitir trabalho escravo

O Ministério Público do Trabalho (MPT) pediu, em duas ações civis, a condenação da construtora MRV S/A ao pagamento de R$ 11 milhões por danos causados a trabalhadores mantidos em condições semelhantes à escravidão e em condições precárias nos alojamentos e canteiros de obras em Americana e São Carlos, no interior de São Paulo.

CHICO SIQUEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , ARAÇATUBA, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2011 | 03h07

As irregularidades foram constatadas pelos procuradores do MPT em dezembro de 2010 no canteiro de obras do condomínio Spazio Monte Vernon, em São Carlos; e em fevereiro de 2011, no alojamento dos trabalhadores do condomínio Bech Park, em Americana. Segundo os fiscais, nos dois casos, os operários eram contratados por empreiteiras terceirizadas pela MRV.

Em Americana, o MPT quer a condenação da MRV ao pagamento de R$ 10 milhões em multa por manter em regime de escravidão trabalhadores aliciados em Alagoas, Bahia e Maranhão por duas prestadoras de serviço contratadas pela MRV. As casas construídas por eles eram financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Cerca de 70 trabalhadores viviam num alojamento de duas casas geminadas, superlotadas, sem ventilação e em condições precárias de higiene, dormindo no chão.

Em São Carlos, os procuradores pedem R$ 1 milhão para reparar os danos causados aos operários do condomínio Spazio Monte Vernon, cujo canteiro apresentava precárias condições de trabalho. Segundo os procuradores, o canteiro tinha detritos acumulados e as instalações apresentavam perigo para a saúde dos trabalhadores.

O MPT propôs a assinatura de Termo de Ajuste de Conduta (TAC), mas houve recusa da construtora. A MRV informou que não foi citada, mas ressalta que, nos dois casos, as irregularidades encontradas pela fiscalização ocorreram há mais de 10 meses e foram imediatamente sanadas. A MRV disse que não admite trabalho escravo e reforçou que só contrata empresas idôneas e devidamente regularizadas.

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