MS inicia abates para eliminar resíduos de febre aftosa

Começou oficialmente nesta sexta-feira, em Mato Grosso do Sul, os abates sanitários de 30 mil bovinos, visando eliminar os resíduos da febre aftosa deixados entre o final de 2005 e o primeiro semestre de 2006, com a série de focos da doença encontrados em seis municípios do extremo sul do Estado, na divisa com o Paraguai. Apesar das medidas adotadas desde a época, ainda existe atividade viral nos municípios de Mundo Novo, Eldorado e Japorã, onde vivem 153 mil cabeças de gado.Desse total, foram coletadas 11.449 amostras entre dezembro e janeiro últimos, sendo que 2,7%, ou 310 animais, foram reagentes ao teste. Das três localidades, Japorã teve o maior índice, 4,9%. A decisão foi manter uma série de restrições sobre a criação, engorda, abate e comercialização do gênero, colocando as três áreas sob forte vigilância epidemiológica.Depois de várias negociações entre pecuaristas e autoridades sanitárias, a opção foi pelo abate sanitário, como medida para alcançar mais rapidamente o status de área livre de aftosa no Estado. Foi determinado incentivo com a isenção de ICMS aos frigoríficos escalados para os abates. Segundo o governador André Puccinelli, o Estado deixará de arrecadar R$ 18 milhões em ICMS. O valor pode ser maior, caso os abates ultrapassem a cota estimada em 30 mil cabeças.O gado é vendido aos frigoríficos, o que dispensa indenização aos produtores. Segundo normas publicadas no Diário Oficial do Estado desta sexta, o trânsito dos animais destes municípios só será permitido para abates imediatos nos frigoríficos Fribrasil Alimentos Ltda, em Eldorado, União de Iguatemi, em Iguatemi, Diplomata S/A Indústria e Comércio, também em Iguatemi, Abatedouro Folador, em Eldorado e Abatedouro Folador & kereck Ltda, em Mundo Novo.ProcessoAinda segundo a publicação, a carne será destinada a qualquer município do Estado e também poderá ser levada para outros estados, mas maturada, desossada e os demais produtos e subprodutos submetidos a tratamentos físicos ou químicos. Os veículos que transportarão os animais terão de ser higienizados pelos frigoríficos que farão o abate. Após abate, os frigoríficos também terão de passar pelo processo de higienização.Paralelamente, ocorre um significativo elenco de medidas afastando a possibilidade de novos contágios. A Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) está recadastrando as fazendas as região de fronteira. Conforme a secretária de Desenvolvimento Agrário, da Produção e Turismo, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, a medida vai contemplar todos os imóveis rurais da região de fronteira, "desde o Sul até o Norte do Estado", são 6.700 fazendas. Há também, a vacinação antiaftosa em todo o rebanho da divisa MS-Paraguai, que começará no próximo mês.O pacote todo é bastante eficiente, conforme comento o diretor-presidente da Iagro, Roberto Bacha. Ele afirmou que o governo do Estado deve demorar ainda de 6 a 9 meses para eliminar completamente a circulação do vírus da febre aftosa em Eldorado, Mundo Novo e Japorã. Para tanto, está previsto até prisão dos infratores, conforme prometeu o governador André Puccinelli.

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