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MSD Saúde Animal surfa no ‘boom’ do setor de carne

MSD Saúde Animal viu seu faturamento crescer 9% no ano passado, acima da média registrada no mercado, a R$ 1,1 bilhão

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2020 | 13h46

O segmento de saúde animal vive um ótimo momento após o salto das exportações brasileiras de carnes bovina, suína e de frango e a consequente elevação de preços, que leva pecuaristas a investirem. 

A MSD Saúde Animal viu seu faturamento crescer 9% no ano passado, acima da média registrada no mercado, a R$ 1,1 bilhão. Para 2020, a intenção também é superar os concorrentes – a companhia projeta crescimento de 6% a 8% para o setor, segundo Delair Bolis, presidente da empresa no Brasil.

Sem revelar valores, ele conta à coluna que a área de aves fechou 2019 com receita 15% maior, suínos teve incremento de 12% e ruminantes (bovinos), 7%. “As áreas foram impulsionadas, principalmente, pelo bom momento do setor de proteína animal e pelo lançamento de produtos”, avalia. Como os produtores estão capitalizados, o executivo reforça seu otimismo. “A China ainda não resolveu seus problemas sanitários e não vai resolver no curto prazo”, destaca. “Além disso, o câmbio torna a exportação brasileira competitiva.” 

Bom para todos

Em 2019, a MSD Saúde Animal teve desempenho positivo em outros países da América do Sul, igualmente favorecidos pela demanda aquecida por carnes no mercado internacional. Bolis afirma que, somadas, as operações da empresa no Paraguai, Uruguai e Bolívia avançaram 18% no ano passado.

De olho

O setor de algodão acompanha com preocupação os desdobramentos do coronavírus na China, principal destino das exportações brasileiras, que bateram recorde em janeiro e seguem aquecidas em fevereiro. “Os portos tiveram momentos de lentidão nos desembarques e trâmites, mas o recebimento não foi interrompido”, diz à coluna Henrique Snitcovski, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).

Segue o jogo

O Grupo Horita, um dos principais produtores de algodão no oeste da Bahia, exporta cerca de 80% de sua produção e, da atual safra 2019/20, 65% já foram vendidos. “A China continua sendo o maior comprador deste mercado, levando 40% do que o Brasil exporta”, conta Walter Horita, presidente da empresa. “Até agora, nenhum problema logístico nos afetou e continuamos fechando novos contratos.” 

Na contramão

Enquanto a prática de vender antecipadamente ganha espaço no setor de grãos, cafeicultores costumam esperar o resultado da safra para negociar. É o que mostra pesquisa feita pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), antecipada à coluna. Cerca de 60% dos cafeicultores do País, a maioria de Minas Gerais, não adotam nenhuma estratégia de venda antecipada da produção.

Flutuante

A comercialização brasileira de café se concentra no período de colheita ou é feita no mercado físico, com grãos armazenados, aponta o levantamento. Essa prática deixa o setor sujeito a oscilações de preço no mercado internacional e a sazonalidades da cultura.

À espera

Produtores rurais vão poder emitir títulos agrícolas em dólar a partir do segundo semestre, prevê Fernando Pimentel, sócio-diretor da Agrosecurity. “O mecanismo ainda depende da publicação da MP do Agro, mas deve estar disponível a partir de julho”, diz Pimentel, referindo-se à Medida Provisória do Agronegócio (MP 897/2019) que trata de alternativas para financiamento do setor e foi aprovada na semana passada na Câmara dos Deputados.

Exportação

A possibilidade de emitir Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) ou Cédula do Produto Rural (CPR) em dólar atende à demanda de exportadores. No primeiro momento, avalia o consultor, o mecanismo tende a ser utilizado principalmente por grandes produtores –com faturamento acima de R$ 10 milhões por ano. Estes, acrescenta Pimentel, já estão adaptados a efetuar pagamentos na moeda norte-americana.

Mais $

O banco cooperativo Sicredi ofertou 10% mais recursos para financiamento da produção agropecuária no primeiro semestre da safra 2019/20. De julho a dezembro do ano passado, foram R$ 12 bilhões em 131 mil operações de crédito rural. 

Após a tempestade

O grupo Benassi, um dos maiores distribuidores de frutas, legumes e verduras (FLV) do País, diz que o abastecimento está praticamente normalizado após a enchente que atingiu a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) em 10 de fevereiro. Bruno Benassi, diretor comercial, não descarta queda dos preços. “Muitos produtores tiveram de ‘represar’' a colheita nas propriedades e, como são alimentos perecíveis, devem liberar rápido os estoques, aumentando a oferta.” 

Precaução

Com receita de R$ 1 bilhão por ano com importação, exportação e distribuição de mais de mil itens de FLV e frutas secas, o Benassi teve pouco prejuízo com a cheia. “Tínhamos na Ceagesp no máximo 1% a 2% dos nossos estoques”, diz o executivo. O maior volume de armazenagem fica bem longe de áreas com risco de alagamento, no km 14 da Rodovia Anhanguera, zona oeste de São Paulo. / COLABORARAM ISADORA DUARTE, LETICIA PAKULSKI E TÂNIA RABELLO

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