MST defende esclarecimento e plebiscito sobre criação da Alca

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra quer que os governos dos países que estão negociando o processo de criação da Área de Livre Comércio das Américas implementem uma metodologia de consulta popular para a adesão ou não ao futuro bloco comercial do continente. Um dos principais coordenadores do MST, João Pedro Stédile, afirmou hoje que o povo não é culpado pela ignorância em relação ao bloco. Ele culpou os governos.A criação de horários gratuitos nos canais de televisão é uma das sugestões de Stédile para que o povo seja informado sobre o que é a Alca e o que ela representará para cada um dos países. De acordo com o dirigente do MST, é importante também que nesses programas sejam mostrados quem é contra e quem é a favor da Alca e o por quê. Stédile disse também que o MST quer que os governos produzam materiais didáticos para que a Alca seja amplamente debatida nas escolas, nas universidades, nos sindicatos e nas paróquias. Negociação com consulta popularO Movimento acredita também que os governos deveriam convocar plebiscitos para que a população decida se é contra ou a favor da Alca. "No caso brasileiro temos uma prerrogativa que pode ser utilizada. A Constituição não delega aos deputados e muito menos ao governo a soberania do País. E, como os processos de negociação afetam essa soberania, necessariamente esses tratados não bastam passar pelo Congresso", afirmou. Isso, segundo Stédile, exige que qualquer processo de negociação precise de uma consulta popular. "Se isso não for respeitado vamos entrar com uma medida no Supremo Tribunal Federal para garantir o que diz a Constituição, que nos temas de soberania só o povo pode decidir."

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