MST reconhece melhorias, mas não descarta novas invasões

O líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) João Paulo Rodrigues reconheceu, em discurso durante o lançamento do Plano de Safra da Agricultura Familiar 2004/2005, que o governo tem feito muita coisa pelo setor e que é a primeira vez na história que há um volume tão grande de recursos (R$ 7 bilhões), "nunca visto antes".Entretanto, ele manifestou três preocupações: a liberação de produtos transgênicos, porque inviabiliza mercado para a agricultura familiar; a instituição do seguro-safra, para evitar prejuízo aos investidores em caso de perda; e a garantia da compra antecipada da produção.João Paulo disse que os agricultores ainda enfrentam muitos problemas nos bancos quando contratam crédito. "Mas não é mais a ditadura dos gerentes", ressaltou, referindo-se às dificuldades que os gerentes impunham para a concessão dos empréstimos.Novas invasõesQuestionado se haverá novo "abril vermelho", isto é, uma série de invasões de terras, por exemplo em outubro, o líder do MST disse que "outubro vermelho será com as bandeiras do PT assumindo as prefeituras", referindo-se às eleições municipais. Ele, no entanto, não descartou novas invasões, mas ressaltou que, provavelmente, não haverá mais invasões de prédios públicos, porque "a luta do MST não é contra o governo, mas contra o latifúndio improdutivo".O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, disse que, a partir de julho, todos os assentamentos de reforma agrária disporão de assistência técnica. "Isso é reforma agrária com qualidade social", afirmou.ReivindicaçõesO presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, disse que a entidade continuará colocando pessoas na rua para fazer reivindicações e pedir avanços sociais. "Mas nós somos obrigados a reconhecer que as coisas melhoraram", afirmou.Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encorajou os trabalhadores a continuarem reivindicando. "Não tenham medo de reivindicar. O papel dos movimentos é reivindicar", afirmou, ressaltando que, quando alguma reivindicação for impossível de cumprir, o governo o dirá sinceramente.

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