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MT inicia mobilização contra lei do zoneamento para a cana

Restrições à expansão do setor engloba áreas dos biomas Amazônia, Pantanal e Bacia do Alto Paraguai

Venilson Ferreira, da Agência Estado,

06 de outubro de 2009 | 15h32

A audiência pública realizada nesta terça-feira, 6, pela manhã na Assembleia Legislativa de Mato Grosso foi o ponto de partida da mobilização pela derrubada das restrições à expansão do setor sucroalcooleiro nas áreas dos biomas Amazônia, Pantanal e Bacia do Alto Paraguai, propostas pelo projeto de lei encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional. A ideia é repetir as grandes manifestações feitas pelos agricultores do Centro-Oeste em Brasília.

 

Os deputados estão articulando uma audiência pública no Congresso Nacional, com a participação dos representantes de Mato Grosso, que foram em parte prejudicados pela proibição, que atingiu a região do Pantanal.

 

A audiência pública desta terça-feira lotou o auditório da Assembleia Legislativa e teve a participação das principais lideranças políticas de todos partidos: senadores, deputados estaduais e federais, prefeitos e vereadores. A maioria dos discursos foi de críticas ao governo federal. A única voz destoante foi de uma representante dos movimentos sociais de Mato Grosso, que, diante de uma plateia silenciosa, leu um manifesto com elogios à proibição ao plantio da cana e críticas aos deputados.

 

O discurso mais emocionado foi de um cientista, o professor Godofredo Vitti, um dos maiores especialistas em ciências do solo do País, professor de milhares de agrônomos que passaram pelos bancos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). Vitti disse que a proibição à cana-de-açúcar é um absurdo e citou dados sobre a conservação do solo e sequestro de carbono proporcionado pelas lavouras. Em relação aos questionamentos ambientais, o professor disse que "se cana poluísse, o Estado de São Paulo estaria morto".

 

O pesquisador apresentou dados interessantes de uma pesquisa conduzida por ele no município de Juará (MT), que mostram lavouras de cana com produtividade de 150 toneladas por hectare já no primeiro corte. A média de Mato Grosso é de 91 toneladas por hectare, acima das 80 toneladas por hectare registrada em São Paulo e 73 toneladas por hectare da média nacional. Segundo ele, a cana em Mato Grosso pode ter cortes seguidos por seis a sete anos, sem replantio, em comparação com cinco anos da média nacional. Na opinião do professor, o potencial da cana em Mato Grosso não pode ser anulado.

 

O coordenador-geral do Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Cid Caldas, defendeu o governo e disse que decisão de restringir o plantio da cana foi fruto de um amplo estudo em todas as regiões, inclusive com a participação do setor produtivo mato-grossense. "Queremos mostrar o trabalho sério e consistente dando credibilidade à produção", afirmou. "Há espaço para plantar sem desmatar", disse ele.

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