Muda a composição do emprego formal

Foram abertas, em maio, 252 mil vagas formais no País, segundo o cadastro do Ministério do Trabalho (Caged), com queda em relação a abril e a maio de 2010. Perdeu força, sobretudo, a demanda de empregados no setor de serviços, que liderava as contratações, em contraste com a agropecuária, beneficiada pelo aumento da produtividade e da renda.

, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2011 | 00h00

Na comparação entre os primeiros cinco meses de 2010 e de 2011, diminuiu em 220 mil o número de vagas formais abertas, de 1,383 milhão para 1,171 milhão. Cálculos da área econômica do Bradesco, eliminando os efeitos sazonais, apontam para a geração anual corrente de 1,58 milhão de vagas, enquanto a consultoria LCA estima que será criado 1,64 milhão de empregos formais em 2011. Ou seja, 500 mil postos a menos serão abertos em 2011, relativamente a 2010, quando a economia cresceu 7,5%, o dobro do previsto para este ano.

No mês passado foram abertas 72,9 mil vagas no setor de serviços, ante 88,1 mil em maio de 2010. Trata-se, segundo a LCA, da primeira demonstração relevante de enfraquecimento da geração de postos em serviços, no ano, números que não são ruins, mas configuram acomodação.

Nos primeiros cinco meses do ano, os serviços abriram 502 mil postos (+3,49% sobre 2010), mas apenas 0,48%, entre abril e maio.

A agropecuária abriu 79,5 mil vagas em maio - mais do que as abertas no setor de serviços - e 156,8 mil vagas, entre janeiro e maio, com aumentos de 5,11% sobre abril e de 10,53% sobre igual período de 2010. Também há diminuição do ritmo de abertura de vagas na indústria, em especial nas áreas têxtil e de calçados, e também na construção civil, que apresentou até o ano passado porcentuais elevados de alta da contratação de mão de obra.

O comércio, onde o emprego cresceu apenas 0,3% no mês passado, é um bom indicador do impacto dos preços sobre o consumo das classes de renda baixa e média, que também está refletido na produção industrial de bens de consumo popular.

No primeiro quadrimestre, segundo dados do Caged, predominou a contratação de empregados com renda de até dois salários mínimos. Nessa faixa, é maior o impacto da inflação, inclusive sobre os que percebem o piso salarial.

Ao anunciar os dados do Caged, o ministro do Trabalho afirmou que o mercado de mão de obra continua aquecido. "Vocês serão surpreendidos no segundo semestre", disse aos jornalistas. Mas o otimismo dependerá dos serviços e de uma brusca mudança da tendência exibida até agora.

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