Muda forma de cálculo do indexador da poupança

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta terça-feira mudança na fórmula de cálculo do redutor da Taxa Referencial de juros (TR), que corrige a poupança. Com a resolução, o rendimento das cadernetas de poupança caem caso os juros no país mantenham a trajetória de queda. Com a alteração, o redutor aplicado sobre a Taxa Básica Financeira (TBF) passará a ser maior do que seria pela regra anterior se a taxa calculada com base na rentabilidade média dos CDBs de 30 a 35 dias cair abaixo de 12% ao ano (nesta terça-feira a TBF estava em 12,1% ao ano)."Se houver, o impacto da mudança sobre a rentabilidade da poupança será muito pequeno. Será na segunda casa decimal da rentabilidade mensal", disse o consultor do Departamento de Normas (Denor) do Banco Central (BC), Cleofas Salviano. Neste ano, a rentabilidade mensal da poupança, de acordo com o técnico do BC, tem variado entre um mínimo de 0,55% e um máximo de 0,75%. Na rentabilidade anual, calcula-se que a rentabilidade poderá ficar 0,5 ponto porcentual menor com a nova forma de calcular a TR. O temor é de que a poupança comece a ter rentabilidade maior que os fundos de investimento e os CDBs.O objetivo da alteração, de acordo com o consultor do Denor, foi fazer uma adaptação na fórmula de calcular a TR a um ambiente macroeconômico de taxas de juros mais baixas e inflação em níveis reduzidos. "Estamos agindo preventivamente para evitar um desequilíbrio entre os ativos financeiros de renda fixa", disse. "Na nossa avaliação, isto não está acontecendo neste momento", disse Cleofas. A modificação, de acordo com o consultor do Denor, não deverá afetar o investidor tradicional de poupança. "Se houver efeito, será sobre o investidor que venha a procurar a aplicar em poupança para ganhar com o diferencial de taxas", disse. Poupança continua atraente, diz MantegaSegundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a poupança continua "muito atraente" e a mudança apenas corrige uma distorção."Em um País onde todas as taxas de juros estão caindo, a TR tem que acompanhar. A TR é um velho indexador e, daqui a pouco,a poupança será um dos ativos que mais vão render no mercado pela sua composição (isenção do IR, rendimento de 6% ao ano mais TR)", disse Mantega.Segundo o ministro, a caderneta de poupança tem um rendimento bastante alto comparativamente aos últimos dois ou três anos. "Não é correto que num cenário completamente diferente se mantenha algo que tenha uma distorção", defendeu. Mantega, inclusive, criticou a fórmula de cálculo da TR. Segundo ele, quando há uma queda da TBF (Taxa Básica Financeira usada no cálculo do redutor) e da Selic, a TR sobe. "A fórmula é meio esquisita. Não sei quem fez esta fórmula, mas ela é meio estranha. Tanto que na próxima redução da Selic, que eu acho que vai ter esta semana, a TR sobe e fica esta distorção", disse. Esta distorção, diz, pode criar um movimento nos fundos DI (prefixados) para poupança. "Todo o mundo pode correr para este ativo. Então estamos eliminando uma distorção, mas a poupança continua um ativo muito atraente, porque não corre risco e tem um rendimento de 6% ano mais TR", repetiu.

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