Mudança da BM&FBovespa pode gerar consolidação entre corretoras

Novo modelo divide as instituições em duas classes, permitindo uma flexibilização do mercado

Aluísio Alves, Reuters

08 de agosto de 2014 | 12h45

A BM&FBovespa inaugura na semana que vem novo sistema de acesso das corretoras de valores mobiliários, que pode resultar numa consolidação desse mercado. Diferentemente do modelo atual, que classifica todas as 73 corretoras de igual forma, o novo modelo divide essas instituições em duas classes.

As que mantiverem o status atual serão classificadas como participantes plenas (PNP). As demais serão apenas participantes (PN) e passarão a operar no mercado por meio de uma PNP.

Segundo o diretor de operações e clearing da BM&FBovespa, Cícero Vieira, a mudança permitirá uma flexibilização organizada do mercado. De saída, quem migrar de PNP para PN ficará livre da garantia de R$ 25 milhões que a Bolsa exige de todas as corretoras plenas.

"Elas terão liberdade de usar esse capital no desenvolvimento de seus negócios", disse Vieira. A avaliação da BM&F é de que essa garantia exigida é inócua em muitos casos, especialmente para corretoras com modelos de negócio mais segmentados. "Não importa que tamanho ou desenho a corretora tem, a garantia é 'extra large' para todas", disse Vieira.

Outro benefício da mudança recentemente aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e que será comunicada oficialmente para as corretoras na semana que vem é a maior institucionalização das atividades de várias partes do mercado, segundo o executivo.

Grupos como distribuidoras de valores (DTVM), corretoras de títulos (CTVM), corretoras de mercadorias e bancos de investimentos que operem na bolsa terão que ter a certificação de PN. Pelas contas da Bolsa, existem atualmente cerca de 300 instituições que seriam potenciais candidatas a entrar nessa categoria.

A BM&FBovespa calcula que cerca de 30 distribuidoras pedirão para serem classificadas como PN. Além disso, até o fim do ano de 10 a 15 corretoras hoje 'plenas' também pedirão para se tornarem PN, previu o presidente-executivo da bolsa, Edemir Pinto. Independente da categoria, a supervisão das instituições será feita pela BSM, órgão regulador da BM&FBovespa. O funcionamento no novo modelo deve começar em janeiro de 2015.

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