Mudança de cálculo do PIB é técnica, diz Coutinho

Presidente do BNDES disse ter sempre acreditado haver uma certa subestimativa da formação de capital. Mais importante que a nova metodologia, para ele, é poupar e investir mais 

Glauber Gonçalves e Vinícius Neder, da Agência Estado,

19 de setembro de 2012 | 12h13

Os investimentos eram subestimados nos cálculos do Produto Interno Bruto (PIB), mas a mudança metodológica nas Contas Nacionais anunciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é uma questão técnica e o importante é o crescimento dos investimentos. A análise é do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

"O que interessa é a tendência. Sempre achávamos, eu pessoalmente como economista, que há uma certa subestimativa da formação de capital, mas isso é um tema técnico. O importante é que precisamos poupar mais e investir mais. Precisamos subir a taxa de poupança e investimento", afirmou Coutinho após participar da cerimônia de abertura do Fórum Nacional 2012, organizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae) e realizado entre esta quarta-feira e a quinta-feira, 20, no Rio de Janeiro.

Coutinho destacou também que os investimentos são importantes para tornar a economia mais competitiva. "Temos oportunidades atrativas e rentáveis de investimento em várias setores da economia", disse Coutinho. A mudança no cálculo do PIB levará ao crescimento do peso dos investimentos no PIB. Coutinho destacou que a questão metodológica não é relevante e não participou das discussões para a mudança junto ao IBGE.

Selic e câmbio

A redução da taxa básica de juros (Selic) e a taxa de câmbio menos apreciada ajudam a criar a base sustentável para o crescimento da economia brasileira, afirmou Luciano Coutinho. Para ele, é preciso "zelar" pelo câmbio menos apreciado.

"Tornou-se uma compreensão generalizada da relevância de ter um câmbio razoável para o crescimento produtivo", afirmou Coutinho. Segundo ele, mudanças estruturantes nos últimos anos ocorreram sobre a base da estabilidade da economia, "conquistada com muita dificuldade". A mudança no patamar da Selic, completou o economista, mudará os cálculos econômicos, o que acelerará alterações importantes no sistema de crédito e transformará a poupança em crédito de longo prazo, permitindo o desenvolvimento do mercado de capitais.  

Inflação

A nova rodada de relaxamento monetário quantitativo do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), chamada em inglês de QE3, não necessariamente trará elevação da inflação por meio da valorização das commodities, disse Coutinho. Segundo ele, o Brasil precisa manter uma taxa de câmbio "estimulante" para o desenvolvimento produtivo.

"Dependendo de como for feita (a rodada de afrouxamento), ela pode ter um pouco mais de inflação de commodities e poderia afetar preços aqui dentro. Porém, temos que contrabalançar isso com a desaceleração da China, que é a grande fonte de demanda de commodities. Então, não é certo que haverá necessariamente inflação", afirmou Coutinho.

O presidente do BNDES disse que será preciso observar se os preços de commodities têm sustentação. Ele afirmou também que o Brasil tem meios de contrabalançar esse movimento "aumentando a produtividade e mantendo uma taxa de câmbio estimulante para o desenvolvimento produtivo". "Não é saudável descontar na competitividade do Brasil as distorções criadas fora", completou Coutinho.

Ele também disse que o governo está atento para o movimento do Fed. "Esse efeito não deveria distorcer a nossa taxa de câmbio. A política monetária americana está sendo feito de uma maneira a interferir de forma muito proativa nas taxas não só de curto prazo, mas também nas taxas de juros de longo prazo", completou o presidente do BNDES.

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