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Mudança de cenário de inflação alivia Mantega

Recuo dos índices junto com os preços das commodities confirma diagnóstico do ministro e pressiona o BC

Beatriz Abreu e Fabio Graner, de O Estado de S. Paulo,

23 de agosto de 2008 | 19h54

Depois de ter ficado meses na berlinda, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desfruta de posição mais confortável agora que a inflação começa a dar sinais de desaceleração, embora ainda não seja possível prever o timing para que a alta dos preços recue para a meta de 4,5%. Fontes do governo avaliam que os números recentes mostram redução simultânea dos índices e dos preços das commodities, coincidência que pode confirmar o diagnóstico de Mantega de que o principal fator que levou à disparada dos preços foi a alta do petróleo e dos produtos agrícolas no exterior.   Veja também: Entenda os principais índices  De olho na inflação, preço por preço     "O Guido sofreu o que sofreu e parece que só foi um soluço", disse uma fonte ao Estado. Os resultados dos últimos índices, inclusive com deflação de 0,12% na segunda prévia do IGP-M e com o IPCA-15 abaixo de 0,4% em agosto, são dados relacionados na avaliação de que o cenário antecipado pelo Ministério da Fazenda - de uma corcova na inflação, cujo pico já foi atingido, com trajetória de queda - pode, de fato, estar ocorrendo.   Em situação oposta está sendo colocado, neste momento, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Em setores do governo, sua posição começa a ser questionada. "Será que o BC não errou na dose?", indaga uma fonte ao se referir a alta de 1,5 ponto porcentual na taxa Selic, que define taxa básica de juros na economia. É com expectativa que está sendo aguardada a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 9 e 10 de setembro, e para a qual o mercado prevê uma nova alta de 0,75 ponto na Selic.   Também não é menor a curiosidade em relação aos argumentos de análise da recente queda nos preços. "Não se poderá dizer que é efeito do aumento dos juros",comentou a mesma fonte. Afinal, o impacto da elevação dos juros só será percebido na economia a partir do próximo ano.   A interpretação é que o Copom aproveitou a inflação provocada pela alta dos alimentos e petróleo para corrigir um problema mais estrutural: a disparada do crédito. "O Meirelles se aproveitou de um problema conjuntural para ganhar respaldo para uma decisão impopular, que é o aumento dos juros", disse uma fonte.   Por trás dessa avaliação, no entanto, está, mais uma vez, a preocupação com o tamanho do atual aperto de juros. Uma postura muito dura na condução da política monetária pode amplificar o descontentamento com a mão pesada do BC, justamente no momento em que o respaldo de Meirelles está em alta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao contrário de outros momentos, o atual ciclo de alta na Selic arregimentou apoio em setores refratários à alta dos juros no governo e no setor financeiro.   Até o Ministério da Fazenda, que sempre se destacou nas críticas ao Copom, apoiou em público a alta dos juros, atitude que tem sido elogiada pelo Planalto. Mantega conteve o ímpeto da contestação e passou a rezar a cartilha do BC: os juros só cairão quando a inflação recuar ao centro da meta, o que ainda está longe de ocorrer. A decisão de abrir mão da contestação aberta não significa que o ministro e sua assessoria estejam despreocupados com o tamanho do aperto, que não desejam que vá além de 14%. A Selic hoje está em 13% ao ano. Mais: que a alta dos juros não interrompa de forma drástica o crescimento.   Apesar dos novos questionamentos sobre a alta dos juros, o BC mantém a análise de que o cenário sobre o rumo das commodities ainda está indefinido. Até agora, a queda nos produtos agrícolas e também nos preços do petróleo é interpretada como uma correção de uma exuberância de caráter especulativo, o que não elimina o fato de os preços ainda estarem elevados. Mas uma queda contínua e rápida das commodities, como o Copom já deixou claro em suas atas anteriores, pode afetar as expectativas de inflação por meio do impacto no câmbio, o que reforça a tendência de desvalorização do real.   Diante dessa incerteza, o BC se sustenta na posição de que a atividade econômica está superaquecida e precisa ser controlada. A dúvida que persiste é quanto ao tamanho do descompasso entre oferta e demanda.

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