Mudança de gestão na Petrobrás é crucial para reduzir endividamento, diz Parente

Para evitar novos esquemas de corrupção, a estatal implementou nos últimos meses uma divisão de funções que descentraliza a tomada de decisões e visa otimizar os controles internos das suas operações

Nathália Larghi e Ricardo Rossetto, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2016 | 18h30

SÃO PAULO - A renovação do sistema de governança da Petrobrás é uma das principais ações para viabilizar as metas de redução de endividamento, afirmou o presidente da estatal, Pedro Parente, nesta segunda-feira, 26. Em debate sobre governança pública e privada, o executivo afirmou que, nos últimos meses, foram implementadas práticas de divisão de funções que otimizam o sistema de controles internos e a tomada de decisão para dificultar eventuais esquemas de corrupção.

Nos últimos anos, a dívida acumulada da estatal superou os R$ 132 bilhões, pelo fato, entre outros motivos, de praticar preços abaixo da paridade internacional. Agora, a principal meta financeira da companhia traçada no novo plano estratégico é reduzir de 5,3 para 2,5 a relação dívida líquida sobre o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) até 2018. "Segurança (financeira) e (redução da) alavancagem são as duas métricas que guiarão todas as estratégias da companhia daqui para a frente", disse o executivo.

Ao se classificar como um "fervoroso defensor da descentralização", Parente afirmou que uma das medidas para promover a segregação de funções foi a criação dos comitês estatutários, responsáveis por avaliar as decisões que são levadas à diretoria da empresa e garantir que decisões importantes não sejam tomadas de forma isolada dentro da estatal.

Além da divisão de trabalho, Parente também considera fundamental que os administradores públicos tenham autonomia, desde que sejam responsabilizados pelos resultados obtidos. Segundo ele, a Petrobrás passou a exigir que todos os funcionários, a partir de um determinado nível hierárquico, passem por uma avaliação prévia, para investigar eventuais indícios de envolvimento em atos ilícitos. A empresa ainda criou um canal de denúncias, que assegura o anonimato de quem presta as queixas e envia as informações diretamente ao conselho da estatal.

Pedro Parente lembrou que a Operação Lava Jato trouxe mais urgência para controles formais de governança dentro das empresas. Para o executivo, a Petrobrás dispõe hoje de um conselho livre de influências políticas, que toma decisões baseadas nos objetivos da companhia.

O executivo considera que o atual sistema de governança e gestão pública está "falido", uma vez que os mecanismos de controle existentes falharam em acabar com a corrupção e não garantiram o melhor preço e maior qualidade dos serviços oferecidos. Ele criticou, ainda, as decisões "malsucedidas" de gestões anteriores de construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, Premium I, no Maranhão, e Premium II, no Ceará.

O plano estratégico 2017-2021 anunciado pela empresa na semana passada prevê US$ 19,5 bilhões de parcerias e desinvestimento para os próximos cinco anos, com a saída da estatal de áreas como biocombustíveis, petroquímica e de gasodutos - a exemplo da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), cuja venda de 90% das ações à Brookfield, uma das maiores gestoras de ativos do mundo, foi anunciada na última sexta, 23.

Parente acredita que, após esse período, será "altamente conveniente" para a companhia voltar a investir no exterior e diversificar suas atividades. "Não deixaremos de investir em conhecimento nessas áreas, porque após cinco anos voltaremos a pensar nos setores que deem retorno e façam sentido dentro da nova estratégia, transformando a Petrobrás em uma empresa de energia como um todo".

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