Mudança de prefixos prejudica empresas

O advogado Giacomo Guarnera, da Guarnera Advogados, conseguiu na semana passada na Justiça uma liminar que obriga a Telefônica a manter em funcionamento por mais 90 dias o serviço de redirecionamento das chamadas telefônicas, feitas para o prefixo antigo. Com isso, quando entrar no ar a gravação informando o novo número, a decisão judicial permite que o advogado forneça à Telefônica sua própria gravação.O escritório teve o prefixo alterado no início do ano e teve problemas com seus clientes italianos. Quem ligava do exterior não conseguia entender a mensagem em inglês. Como o escritório foi informado da mudança com antecedência, conseguiu avisar os clientes atuais do novo número. O problema aconteceu com os novos clientes. A primeira reivindicação do escritório, quando a Telefônica deixou de redirecionar chamadas, foi a autorização para gravar a própria mensagem. A operadora não permitiu, e cumpriu apenas parcialmente o pedido para a mensagem em outra língua. O escritório pediu que a gravação fosse em italiano. O escritório pretende entrar com uma ação pedindo indenização por danos materiais e morais, pelos negócios que deixou de realizar por falta de comunicação. A mesma situação é partilhada por muitos assinantes, tanto residenciais como comerciais. Porém, nem todos têm a possibilidade de entrar na Justiça para buscar uma solução para o problema. Telefônica diz que só cumpre a lei A Telefônica informou que ainda não havia recebido a notificação sobre a liminar, por isso não podia afirmar se ia cumprir a decisão ou recorrer na Justiça. Nos últimos seis meses, a empresa já mudou o prefixo de 200 mil a 300 mil linhas, para agregação de novos serviços e expansão da capacidade técnica das suas centrais.De acordo com a Telefônica, essas mudanças são feitas justamente para atender as determinações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) - o órgão regulador do governo. As normas obrigam as operadoras a informar o novo prefixo aos assinantes com antecedência, redirecionar as chamadas por 30 dias após a mudança e colocar uma gravação informando o novo número por 60 dias para assinantes residenciais, e 90 dias para assinantes empresariais. Telefonia lidera ranking do Procon No Procon, os serviços telefônicos continuam liderando o ranking de reclamações este ano. No ano passado, a Telefônica foi a empresa campeã de reclamações no órgão. A mudança de prefixo não está, no entanto, entre os assuntos mais reclamados. Interurbanos não reconhecidos e atraso na transferência de linhas são as reclamações mais freqüentes. O Procon não recebe reclamações de empresas, as maiores prejudicadas com as mudanças dos telefones.Nos primeiros quatro meses do ano, o Procon recebeu 12.248 reclamações e consultas sobre telefonia. Esse número representa 40,2% dos atendimentos na área de serviços e 14% do total de atendimentos do Procon de São Paulo.

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