Mudança dispensa mão de obra e aumenta a receita

Substituição de cultura preocupa o Estado, pois o cultivo de café gera empregos o ano inteiro, ao contrário do eucalipto

, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

O presidente das comissões de café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura de Minas (Faemg), Breno Mesquita, defende políticas diferenciadas e incentivos para a cafeicultura de regiões como o sul mineiro e a Zona da Mata do Estado. O argumento é a ameaça de desemprego diante da falta de competitividade dos produtores.

"Chega uma hora em que o produtor ou muda de atividade ou afunda e quebra", afirma Mesquita. Segundo ele, o eucalipto só gera emprego no plantio. "Depois, aquilo lá vai sozinho".

Na cafeicultura, explica, a mão é de obra é necessária o ano inteiro, especialmente na colheita. Minas é o maior produtor nacional de café, com cerca de 50% da produção brasileira. Se fosse um país, o Estado seria o maior produtor mundial. Pelos cálculos das entidades, a cafeicultura emprega no País cerca de 8 milhões de pessoas em toda a sua cadeia de forma direta e indireta.

A política de aumento do salário mínimo, a partir de 2003, encareceu bastante os custos de produção da cafeicultura de montanha, ressalta Mesquita. Segundo ele, a substituição da cultura tradicional pelo eucalipto ainda não é "extremamente preocupante". "É algo que vem acontecendo de maneira silenciosa e nos preocupa, sim".

De acordo com a Secretaria estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Minas lidera o ranking nacional em área com floresta plantada, com 23,2% do total, sendo 89,8% de eucalipto e 10,2% de pinus. Nos cinco primeiros meses de 2010, as exportações de madeiras e derivados (principalmente celulose) por Minas foi de US$ 302,7 milhões. Um crescimento de 106% em relação ao mesmo período de 2009. Em quantidade, o volume de madeira e derivados exportado foi de 486,54 mil toneladas. Um aumento de 11,4% em relação aos cinco primeiros meses de 2009.

Segundo a Secretaria, estudos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP), a indústria de celulose, papel e outros produtos do setor é responsável por 12% do PIB de todas as indústrias de base agrícola do agronegócio mineiro. Fica atrás apenas das indústrias de álcool hidratado, açúcar e álcool anidro.

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