Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Mudança do patamar do dólar aumentou exportações e reduziu importações, diz CNI

Coeficiente de Penetração de Importações a preços constantes recuou de 17,2% em 2015 para 16,5% nos 12 meses terminados em maio deste ano

Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2016 | 12h22

BRASÍLIA - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta quarta-feira que a mudança do patamar do dólar ante o real aumentou as exportações e reduziu as importações da indústria de transformação. Os dados, que estão no Coeficiente de Abertura Comercial do primeiro semestre deste ano, mostram ainda que nos últimos 12 meses encerrados em maio deste ano o Coeficiente de Exportação – indicador que mostra a participação das vendas externas no valor da produção da indústria de transformação –, ficou em 15,8% a preços constantes (excluídos os efeitos de variações dos preços), maior do que os 14,2% registrados em 2015. De acordo com a economista da CNI Samantha Cunha, isso reflete o crescimento das quantidades exportadas pela indústria de transformação.

Os números mostram ainda que a participação dos importados no consumo nacional caiu pelo segundo ano consecutivo. O Coeficiente de Penetração de Importações a preços constantes recuou de 17,2% em 2015 para 16,5% nos 12 meses terminados em maio deste ano. "A forte depreciação do real em 2015 a moeda doméstica depreciou-se 28,8% em termos reais frente ao dólar em um contexto de desaceleração da demanda doméstica reforçou o movimento de queda da participação de importados no consumo doméstico", avalia a CNI.

A Confederação observou também que a indústria está substituindo insumos importados por nacionais. Isso fica comprovado através do Coeficiente de Insumos Industriais Importados que, a preços constantes, caiu de 24,6% em 2015 para 23,6% nos 12 meses encerrados em maio deste ano. De acordo com a CNI, a substituição dos insumos industriais importados por nacionais é uma estratégia da indústria para reduzir os custos de produção, pois a alta do dólar encareceu as importações.

A pesquisa destacou que, entre 2014 e 2016 (acumulado em 12 mes até maio), a maioria dos setores da indústria de transformação registraram aumento da participação dos insumos industriais importados na produção, contudo, o crescimento da receita com exportações foi maior, o que resultou em alta do coeficiente de exportações líquidas a preços correntes. As exceções são os setores de Equipamentos de Informática, Eletrônicos e Ópticos, Farmoquímicos e Farmacêuticos e Impressão e Reprodução, que registraram redução do coeficiente de exportações líquidas.

Os dados da pesquisa mostram ainda que o saldo entre a receita obtida pela indústria de transformação com as exportações e as despesas com a importação de insumos industriais, ambos medidos em relação ao valor da produção, está aumentando. O Coeficiente de Exportações Líquidas a preços correntes (sem descontar o efeito das variações de  preços) aumentou de 4,1% em 2015 para 6,6% nos últimos 12 meses encerrados em maio de 2016.

"O saldo positivo significa que a receita com exportações da indústria de transformação supera o gasto com insumos industriais importados. Esse resultado reflete a reação das exportações, estimuladas pela taxa de câmbio competitiva, em um contexto de desaceleração do mercado interno, e o desestímulo às importações", avaliou a CNI.

A instituição informou ainda que, a partir desta edição, o estudo realizado em parceria com a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) deixa de ser trimestral e passa a ser semestral e agrega os indicadores a preços constantes, que excluem o efeito de variações nos preços e na taxa de câmbio sobre a evolução dos coeficientes. "A metodologia também mudou para aperfeiçoar o cálculo dos coeficientes", disse o documento divulgado há pouco. 

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