Mudança em comunicado do Copom mostrará BC mais vigilante

Analistas consultados pelo AE Projeções se preparam para ler alterações marginais no comunicado do colegiado

Francisco Carlos de Assis e Flavio Leonel, da Agência Estado,

09 de dezembro de 2009 | 08h51

Para não dizer que a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, no ano terminará sem nenhuma novidade, analistas consultados pelo AE Projeções se preparam para ler mudanças marginais no comunicado que se segue ao término dos encontros do colegiado.

 

Considerando que o texto dos comunicados das últimas três reuniões do comitê foi exatamente o mesmo, isso já poderá servir, de alguma forma, como sinalização de que o BC não pretende mais ficar com a atual taxa de juros nominal, de 8,75% ao ano, segundo os mesmos analistas.

 

Para os profissionais, o ajuste na margem do conteúdo do documento deverá ser feito para acomodar uma mensagem de que a autoridade monetária estará mais vigilante daqui para frente, mas que ainda não está com dedo no gatilho, como explica a economista-chefe do ING Bank, Zeina Latif, por exemplo.

 

De acordo com a chefe do Departamento Econômico do ING, a elevação efetiva do tom o BC deverá acontecer na ata do Copom que será divulgada na quinta-feira da próxima semana. Na opinião de Zeina, uma mudança intempestiva nos comunicados do BC só se justificaria se tivesse ocorrido uma mudança também intempestiva do cenário econômico. E não é isso que tem se observado na economia brasileira, de acordo com a economista.

 

Ela reitera que, para o BC, que já trabalhava com alguma expansão da economia desde o começo do ano - antes do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho previa 1,2% de crescimento do PIB e depois reduziu o prognóstico para 0,80% -, o comportamento atual da economia não causa nenhuma surpresa. "Se há surpresa é do mercado, que por muito tempo previu crescimento negativo do PIB e mesmo agora ainda projeta evolução do PIB abaixo da prevista pelo BC.

 

Por isso, Zeina ratifica a sua expectativa de que o comunicado poderá trazer alguma mudança marginal no seu conteúdo, mas não a ponto de abrir margem para se pensar que a Selic já poderá ser elevada na primeira reunião do Copom, em janeiro de 2010. Zeina lembra ainda que a última distribuição de frequência das expectativas de inflação, divulgada na segunda-feira pelo BC, mostra que as previsões estão praticamente estáveis.

 

Para a economista da Rosenberg & Associados, Fernanda Feil, fica difícil conceber a ideia de que o statement já poderá trazer alguma alteração, ainda que marginal, porque na consultoria não se trabalha, por enquanto, sequer com a possibilidade de aumento de juros em 2010. "Nós ainda acreditamos em manutenção da Selic no próximo ano", diz a economista apesar de entender que o teor do documento deverá estar voltado para a retomada da atividade econômica.

 

"Acreditamos que o comunicado vai dar ênfase em atividade, mostrando que houve uma ligeira recuperação, mas mostrando também que a utilização da capacidade instalada e a inflação continuam sob controle", afirma, ressaltando que mesmo a ata do Copom na quinta-feira da semana que vem deverá ser ainda bastante dovish (branda).

 

A análise feita pela economista do Banco Santander, Luiza Rodrigues, vai na mesma direção. Para ela, o comunicado poderá não trazer uma mudança acentuada de curso, mas um mínimo de alteração para mostrar que a autoridade monetária não vai continuar com a atual taxa de juros. Neste sentido, acrescenta a economista, dizeres que traduzem o conforto do BC com a atual taxa no que diz respeito à sua consistência com o patamar de inflação benigno deverão ser retirados do documento.

 

"A expressão que utilizamos aqui no banco é a de que o BC vai abandonar o piloto automático, retirando do comunicado o trecho dizendo que a taxa de juros atual é condizente com a inflação benigna", reforça Luiza.

 

Para justificar, contudo, que não haverá uma conversão brusca no teor do statement, a economista do Santander pondera que os preços administrados devem aliviar muito a inflação em 2010. De acordo com Luiza, a sinalização é de que nos próximos seis meses a inflação seguirá sob controle.

 

Os preços administrados deverão subir em torno de 3,20% ao longo de todo o próximo ano. E essa alta será puxada basicamente pelo aumento da tarifa de ônibus urbano na capital paulista. A previsão do Departamento Econômico do Santander é de um reajuste de 17,40% na passagem dos ônibus que circulam pelas ruas da capital paulista, de R$ 2,30 para R$ 2,70 em 2010.

 

O economista-chefe da Nobel Asset Management, Paulo Val, engrossa o coro dos que não acreditam em mudanças significativas do statament que o BC divulgará amanhã tão logo o Copom encerre a sua última reunião do ano. "O mais provável é não vir nenhuma mudança significativa no conteúdo do comunicado, mas sim alguma alteração marginal", diz.

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