Mudança em crédito direcionado pode reduzir juro ao consumidor

Com o objetivo de reduzir o spread bancário - diferença entre juros de captação e as taxas cobradas nos empréstimos -, o governo estuda alterar as regras para o crédito direcionado (financiamento habitacional, agricultura, repasses do BNDES). Um estudo elaborado pela equipe econômica apontou que um dos efeitos destas regras é justamente o aumento dos juros praticados em operações com recursos livres cobrados na ponta do consumidor e das empresas. O fato é que nas operações de crédito direcionado, os bancos são obrigados a direcionar uma determinada porcentagem dos recursos captados para operações em que as taxas de juros praticadas são fixas e mais baixas do que as de mercado. Para compensar esta diferença, os bancos cobram de consumidores e empresas juros mais altos em operações com recursos livres. Hoje, em apresentação no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que acontece hoje no Palácio do Planalto, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou as diferenças de custos de financiamento existentes na economia brasileira. Segundo ele, a taxa de juros cobrada nas operações de crédito direcionado são em média 4,1% mais baixas do que os juros praticados nas operações de CDI (operações interbancárias). Atualmente, o crédito direcionado responde por quase 40% de todo o volume de dinheiro para financiamentos no País. Meirelles afirmou que a taxa de juros dos créditos direcionados também é, por várias vezes, inferior à taxa da inflação. De acordo com o cálculo apresentado pelo presidente do BC, essa taxa de juros tem ficado em média 0,5% abaixo da inflação apurada pela variação do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI). Mantega confirma O ministro do Planejamento, Guido Mantega, afirmou que o governo realmente estuda a possibilidade de reduzir gradativamente a política de crédito direcionado, que consome parte dos depósitos a vista e da poupança para o financiamento rural e habitacional no País. Ele ressaltou, entretanto, que ainda não existe uma decisão sobre a mudança no sistema.

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