Andre Dusek|Estadão
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Gasolina deve aumentar oscilação de preço na bomba, diz Petrobrás

Segundo presidente Pedro Parente, estatal avalia política de preço com alterações mais frequentes; empresa também anunciou novas parcerias e desinvestimentos

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2017 | 17h24

A Petrobrás estuda elevar a frequência de alterações nos preços dos combustíveis, informou nesta segunda-feira, 5, o presidente da estatal, Pedro Parente. Em reunião com acionistas na B3, o novo nome dado para a Bolsa de Valores de São Paulo, o executivo disse que a diretoria está avaliando a periodicidade das reuniões sobre as mudanças nos preços dos combustíveis. Contudo, ele relatou que não ainda há uma decisão fechada sobre o tema.

A estratégia por trás da nova política de preços é refletir de uma maneira mais fiel a oscilação no câmbio e da cotação internacional do petróleo. No último dia 25, quando anunciou a redução dos preços nas refinarias em 5,4% para a gasolina e em 3,5% para o diesel, a empresa já havia destacado que a política de preços com correções pelo menos mensais não tem refletido tempestivamente as volatilidades do mercado, embora já mostrasse um avanço significativo em relação à sistemática anterior.

A possível mudança indicada pela Petrobrás é bem-vista por analistas de mercado e deve alterar o rtimo de oscilação do preço da gasolina nas refinarias e no postos de combustíveis, apontam especialistas.

A nova política agrada porque torna a empresa mais próxima da realidade de uma companhia privada, além de elevar a previsibilidade para os investidores. Segundo os analistas, quanto maior a transparência nas decisões sobre preços, maior é a possibilidade de atrair investidores para o refino, setor no qual a petroleira detém quase 100% de monopólio atualmente.

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O analista da Lerosa Investimentos, Vitor Suzaki, avaliou que, neste momento, marcado por bastante volatilidade dos preços do petróleo e do câmbio faz sentido as avaliações de preços serem mais frequentes. "É positivo, porque traz previsibilidade maior para os investidores e reduz ainda mais o risco de possibilidade de interferência política", opinou.

Nessa mesma linha, Celson Placido, estrategista da XP Investimentos, disse que a companhia está adotando uma política de mercado e se aproximando do modo de funcionamento de empresas privadas, o que é uma "excelente notícia". Ele lembrou também que tanto os preços do petróleo têm se mostrado bastante voláteis, quanto o câmbio, em função dos acontecimentos recentes na esfera política.

Ainda na avaliação de Placido, essa maior previsibilidade nas alterações de preços eleva a possibilidade de atração de parceiros no refino, um tema relevante para a Petrobras. "A empresa pode conseguir atrair parceiros, desde que existam regras claras", afirmou.

Mais cedo, Pedro Parente disse que, para a empresa conseguir atingir o objetivo de fechar parcerias no refino, é necessária uma garantia de liberdade na política de preços.

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“A liberdade na política de preços é uma questão crucial na meta de fechar parcerias no refino. É a mais importante discussão no âmbito desse processo”, afirmou o executivo. “Esperamos ter uma resposta adequada que traga a visão de que a questão foi endereçada. Mas neste momento, só posso afirmar que é uma questão crucial”, disse.

Desinvestimentos e parcerias. Além disso, Parente também afirmou que, até o fim do ano, a empresa vai anunciar 30 oportunidades de parcerias e desinvestimentos, sendo que metade delas nos próximos três meses, dentro da sistemática aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O executivo disse que, para a empresa conseguir atingir o objetivo de fechar parcerias no refino, é necessária uma garantia de liberdade na política de preços.

O diretor Financeiro da Petrobrás, Ivan Monteiro, afirmou que ainda não foi apresentado um melhor modelo a ser perseguido pela empresa no desinvestimento na BR Distribuidora. “Nossa equipe tem a obrigação de apresentar alternativas à diretoria executiva e ao conselho de administração”, relatou. Sobre eventual IPO da BR, ele afirmou que houve uma recuperação recente no mercado, porém não há definições.

Parte do plano de desinvestimentos da companhia estatal é a venda de sua participação na Braskem. Um dos entraves para a conclusão do negócio e a Odebrecht, sócia da estatal na petroquímica e envolvida na Operação Lava Jato. Atualmente, a Petrobrás esbarra na falta de interesse da sócia em se desfazer do negócio e, mais recentemente, no veto do Tribunal de Contas da União (TCU) a desinvestimentos da estatal.

A companhia registrou valorização nesta segunda-feira, na contramão das cotações do petróleo. Segundo operadores, as notícias envolvendo a estatal são consideradas positivas. Na Nymex, em Nova York, o petróleo WTI para julho caiu 0,54%, a US$ 47,40 o barril. Na ICE, em Londres, o tipo Brent para agosto recuou 0,96%, a US$ 49,47. Petrobras PN sobe 1%, a R$ 13,18, e ON avança 1,53%, a R$ 13,95. O Ibovespa opera em baixa de 0,20%, aos 62.386 pontos. 

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