Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Mudança na meta não tem a ver com alterações na Reforma da Previdência, diz Meirelles

Governo revisou meta para 2018 para déficit de R$ 129 bilhões; segundo o ministro, alterações na reforma estão dentro das previsões

Carla Araújo, Eduardo Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2017 | 16h11

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a mudança da meta do resultado primário de 2018 não tem relação com as flexibilizações feitas pelo governo na reforma da Previdência. "A resposta é não. As mudanças feitas na Previdência são mudanças que estão dentro do espaço considerado como necessário para uma negociação democrática", disse.

Segundo o ministro, as mudanças na reforma estão dentro das previsões e já estavam precificadas pelo mercado. "Portanto, uma aprovação final oferece um nível de economia menor do que o que finalmente foi decidido ontem", disse.

Sob forte pressão de parlamentares da própria base aliada para flexibilizar a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer deu carta branca para que a Câmara dos Deputados altere cinco pontos do texto, entre eles a regra de transição, na tentativa de melhorar a situação do governo na batalha pela aprovação da medida. O sinal verde dado pelo presidente, no entanto, vai custar pelo menos 17% da economia prevista inicialmente com a proposta original num período de dez anos.

Veja o Placar da Previdência do 'Estado'

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, salientou que as estimativas da meta não incorporam a aprovação a reforma da previdência. "Essas estimativas não incorporam o efeito [da previdência] por uma questão legal, uma vez que [a reforma] ainda não esta aprovada", explicou.

Revisão. Meirelles e Dyogo anunciaram nesta sexta-feira que a meta fiscal para 2018 será de déficit primário de R$ 129 bilhões para o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central). A meta foi revisada, de um número anterior de déficit de R$ 79 bilhões.

Será o quinto ano em que a União fecha com as contas no vermelho, gastando mais do que arrecada. No caso do setor público consolidado, que inclui Estados, municípios e estatais, a meta é de déficit de R$ 131,3 bilhões para o ano que vem. Ambos os valores equivalem a 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

Meirelles reforçou diversas vezes que a recessão do passado tem efeito defasado com impacto em projeções de arrecadação e disse que o governo segue "à risca" as determinações do Tribunal de Contas da União (TCU) para o registro de receitas. "Não contabilizamos as receitas com precatórios nessas previsões", citou. "Estamos fazendo projeção transparente, realista", disse.

Meirelles e Dyogo se reuniram hoje pela manhã com o presidente Michel Temer. A reunião não constava na agenda do presidente. Após o encontro, os ministros foram convocados para dar entrevista. A coletiva foi agendada para 14 horas, mas começou com 50 minutos de atraso. Segundo uma fonte do governo, os ministros estavam finalizando a apresentação que está sendo feita aos jornalistas

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