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Mudança no BNDES vai reduzir crítica, diz analista

A decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de mudar a estratégia de incentivar fusões e aquisições para criar grandes empresas nacionais pode, de acordo com analistas, dar fim às críticas à instituição por fornecer ajuda a grandes grupos que poderiam buscar parceiros no setor privado e captar recursos no mercado. A mudança foi revelada pelo presidente do banco, Luciano Coutinho, em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal O Estado de S.Paulo.

DANIELA AMORIM, Agencia Estado

23 de abril de 2013 | 08h29

"O que se criticava muito nessa política é que ela nunca deixou muito claro quais seriam os benefícios para o País. Na realidade, ter uma empresa grande que recebe recursos públicos para se tornar maior e comprar outros competidores dela aqui dentro e lá fora é muito bom para os acionistas da empresa. Como a estratégia deles de favorecer a concentração no setor de frigoríficos trouxe benefícios para os mais de oito mil pecuaristas no País?", questionou o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo o sócio da área de transações da Ernst & Young Terço Sergio Almeida, é preciso olhar cada caso em que houve participação do BNDES para avaliar se o resultado foi satisfatório. "O fato de o BNDES incentivar megaempresas a investir no exterior é válido. Acho que é válido para o País criar grandes grupos para competir internacionalmente. Agora, tem de ver o custo dessa ajuda", disse.

Conforme Mansueto Almeida, outros países que viveram experiências bem-sucedidas ao incentivar a criação de grandes corporações por meio de fusões e aquisições atuaram ajudando a diversificar os ramos de atuação de empresas já bem estruturadas e administradas, mas que ainda não tinham vantagem competitiva. "O que fizemos foi diferente. Pegou-se grupos já grandes, que sabem exportar, e injetou-se dinheiro para esses grupos fazerem mais do mesmo, comprar os concorrentes e continuar exportando", criticou o economista do Ipea.

Em seis anos, as estimativas são de que o BNDES injetou cerca de R$ 18 bilhões em empresas como JBS, Marfrig, Fibria, LBR e Oi com a estratégia de criar grupos fortes, capazes de concorrer até no exterior. Na entrevista, Coutinho disse que a política tinha "méritos" e "chegou até onde podia ir", já que o número de setores dentro do País com potencial para criar gigantes multinacionais é limitado. Segundo ele, o banco está focado agora em setores inovadores, como o de tecnologia da informação, farmacêutico e de bens de capital. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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