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Mudança no BNDES vai reduzir crítica, diz analista

A decisão do BNDES de mudar sua estratégia de incentivar fusões e aquisições para criar grandes empresas nacionais pode, segundo analistas, dar fim às críticas à instituição por fornecer ajuda a grandes grupos que poderiam buscar parceiros no setor privado e captar recursos no mercado. A mudança foi revelada pelo presidente do banco, Luciano Coutinho, em entrevista publicada ontem pelo Estado.

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2013 | 02h05

"O que se criticava muito nessa política é que ela nunca deixou muito clara quais seriam os benefícios para o País. Na realidade, ter uma empresa grande que recebe recursos públicos para se tornar maior e comprar outros competidores dela aqui dentro e lá fora é muito bom para os acionistas da empresa. Como a estratégia deles de favorecer a concentração no setor de frigoríficos trouxe benefícios para os mais de oito mil pecuaristas no País?", questionou Mansueto Almeida, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Na avaliação de Sergio Almeida, sócio da área de transações da Ernst & Young Terco, é preciso olhar cada caso em que houve participação do BNDES para avaliar se o resultado foi satisfatório. "O fato de o BNDES incentivar megaempresas a investirem no exterior é válido. Acho que é válido para o País criar grandes grupos para competir internacionalmente. Agora, tem de ver o custo dessa ajuda", disse Sergio.

Segundo Mansueto, outros países que viveram experiências bem-sucedidas ao incentivar a criação de grandes corporações por meio de fusões e aquisições atuaram ajudando a diversificar os ramos de atuação de empresas já bem estruturadas e administradas, mas que ainda não tinham vantagem competitiva.

"O que fizemos foi diferente. Pegou-se grupos já grandes, que sabem exportar, e injetou-se dinheiro para esses grupos fazerem mais do mesmo, comprar os concorrentes e continuar exportando", criticou o economista do Ipea.

Em seis anos, as estimativas são de que o BNDES injetou cerca de R$ 18 bilhões em empresas como JBS, Marfrig, Fibria, LBR e Oi com a estratégia de criar grupos fortes, capazes de concorrer até no exterior.

Na entrevista, Coutinho disse que a política tinha "méritos" e "chegou até onde podia ir", já que o número de setores dentro do País com potencial para criar gigantes multinacionais é limitado. Segundo ele, o banco está focado agora em setores inovadores, como o de tecnologia da informação, farmacêutico e de bens de capital.

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